Onde comer na ilha do Sal

Come-se bem em Cabo-Verde. O peixe, claro está, é o prato do dia todos os dias. Não me cansei de andar uma semana a alternar entre peixe-serra, atum e garoupa. Já o inverso, quando fui à Argentina e passei mais de uma semana quase sempre a comer carne, não tem tanta graça...
Os preços da comida variam consoante se coma no centrinho da vila ou nos afastemos um pouco mais. O Funaná eo Café Central são dos restaurantes que mais turistas chamam graças aos shows de música ao vivo todas as noites. E não são muito mais caros que os restantes, com pratos entre os 1000 e os 1300 escudos. Mas vale a pena arriscar outros locais onde se come igualmente bem e mais barato. Convém ter cuidado com as saladas cruas e com o gelo das bebidas. Foi o que fiz...nos primeiros dias. Depois, com o calorzinho que estava, fui-me esquecendo das recomendações e arrisquei comer algumas rodelas de tomate e bebidas com gelo. E sobrevivi para contar.

O Restaurante Funaná é. provavelmente, o mais famoso da ilha porque
todas as noites apresenta um show musical. Fui lá apenas uma vez
e não comi lá muito bem, mas posso terv tido azar. Mas adorei a música
e as danças africanas de sábado à noite.

De um modo geral, o preço de um prato num restaurante varia entre os 8 e os 12 euros. Ou melhor, os 800  e os 1200 escudos cabo-verdianos. Mas como o câmbio de 100 escudos equivale a 1.10 euro, compensa trocar euros por escudos já que a conversão que fazem em todo em lado é de 1 euro por cada 100$00, estão ver? Quem paga em euros, fica a perder. Mas voltando à comida, posso afirmar que comi bem em quase todo o lado. Adorei as espetadas mistas de peixe-serra e atum, as garoupas grelhadas, o bife de peixe-serra, as barrigas de atum, a lagosta suada, a cachupa-rica, o pudim de queijo, os doce de papaia com queijo e as papaias da ilha de Santiago. Tudo isto regado com cerveja Strela, bem boa por sinal. Mas quem quiser, encontra Compal, Sagres, Superbock, vinhos portugueses e café Delta em todo o lado!

O prato de garoupa grelhada no Funaná. Não me agradou, mas era só o
que havia para servir às 21h30, hora a que me sentei à mesa.

O interior do Américos
De todos os sítios onde comi, vou recordar e recomendar a garoupa do Américos, com um acompanhamento muito bem preparado de batatas e legumes cozidos, salteados no ponto perfeito de cozedura e com um tempero excelente. Os pratos andam entre os 8 os 12 euros, o serviço é muito simpático e a qualidade altamente recomendável! Recomendo também a sandes "gourmet" de vitela com cebola da esplanada "Papaia", os preços bem simpáticos do  restaurante Compad e o bom peixe, bom ambiente, boa música e belíssimos preços da Lanchonete D'Angela.
No Amércos comi salada de polvo, garoupa grelhada e doce de papaia com queijo.
Bebi café e  provei o grogue simples, embora tivessem, como podem ver na
imagem abaixo, grogue aromatizado com papaia, limão ou hortelã.

O Restaurante"Maninho Almeida", em Espargos, não está sequer identificado
no exterior. Só lá vai quem conhece. No meu caso, fui lá parar graças ao taxista
que "aluguei" juntamente com a viatura por 60 euros ao dia.  A lagosta suada
para dois custa apenas 2500$00, cerca de 20 euros.

O prato do dia era Modje e não resisti a experimentar. Trata-se de um guisado
com carne de cabrito e legumes que mais parece uma sopa. Come-se bem e
vem acompanhado com um puré de milho.
A ida ao Restaurante "Maninho de Almeida" ficou marcada pela oportunidade de apertar a mão a um dos músicos mais prestigiados de Cabo-Verde: Paulino Vieira. Para quem não sabe, foi ele que compôs "n" músicas da Cesária Évora, entre elas o clássico "Sôdade", que enjoei de tanto ouvir em todo o lado... Parece que ele andou anos e anos a reclamar direitos da música e finalmente lá conseguiu, alguns cabelos brancos mais tarde. Só com os direitos desta música, já deve pagar algumas contas. Fora as outras que tem e os muitos espectáculos que vai dando pelo mundo fora. Sim, é que os cabo-verdianos são como os portugueses, estão em todo o lado. Principalmente na Holanda, Itália, França, Portugal e Estados Unidos. Todos os cabo-verdianos que conheci nesta viagem, sem excepção, têm família no estrangeiro.

Lanchonete D'Angela numa sexta à noite. Um dos poucos restaurantes
frequentados pelos locais. Preços muito em conta e boa música ao vivo.

Esta banda dava um toque pessoal a alguns clássicos da música cabo-verdiana,
em mornas e coladeiras
Uma garoupa grelhada que bateu a do Funaná aos pontos
tanto em sabor como em tamanho e em preço: 600 escudos.
Fui jantar à Lanchonete D'Angela por recomendação de um português que tem casa na ilha do Sal (ficam a saber que um apartamento pequeno - T1 - custa de 25 mil euros para cima, um preço muito em conta) , que fica num beco de uma rua um pouco mais afastada do centro, a apenas 3 minutos a pé da praça central. O único contra foi ter uns seis cães a rondar as mesas com um olhar misericordioso. Mas nem chateavam nada.  A mim, que tenho tanto amor de cão para dar (um dia ainda hei de ter um!), só me comoveram e tive pena que não gostassem de peixe. Taditos!


E agora a surpresa das surpresas. Alguma vez me iria ocorrer que na ilha do Sal iria comer gelados tão bons como os da Sardenha? Nunca. Mas a gelataria Giramondo surpreendeu-me com os seus sabores artesanais. Gerida por italianos, tem gelados, crepes e batidos. A variedade de sabores não é fantástica. Mas os gelados têm um aspecto delicioso e são mesmo italianos. Soube-me tããão bem saborear uma bola depois de ter comido um peixe desenchabido num restaurante que foi um erro de casting (Café Crioulo)....  E o preço? Um euro cada bola. E as bolas são grandes. Quem viajar com crianças tem de as trazer aqui!

A gelataria tem uma pequena esplanada
Recomendo vivamente o sabor que experimentei: gelado de banana com Nutella.

Para tomar uma bebida ou petiscar alguma coisa, o bar-restaurante Papaia apresenta a vantagem de desfrutar de uma localização privilegiada. Foi o único bar que encontrei mesmo juntinho ao mar e coladinho a uma pequena praia, ou seja, dá para ir tomar uma banhoca e ver quando é que o empregado chega à nossa mesa com o nosso pedido, para depois nos sentarmos a comer ainda com o corpo fresco, a escorrer pingas de água salgada. Adoro! Para lá chegar, é preciso entrar no aldeamento do Hotel Odjo D'Agua, embora o bar não lhe pertença. Soube deste bar porque vi fotos numa revista e pareceu-me ser engraçado e ter uma vista única. É bastante diferente de todos os outros sítios onde fui comer. É um espaço moderno, com design, um menu mais "gourmet" e música alternativa. Não tem alma cabo-verdiana, é certo. Mas ainda assim merece bem uma visita pela esplanada magnífica.

A vista soberba de uma das esplanadas do Café "Papaia"

A minha sandes de vitela com cebola que, pelos vistos, daria para dois.
O que vale é que a água do mar é morna e não vale a pena esperar
pela digestão se entrarmos na água devagarinho.
Havia dois turistas a fazer snorkeling nesta zona, uma das poucas
onde o fundo do mar é rochoso. Mas não contem com peixes coloridos.
Há imensos peixes mas são todos brancos e cinzentos.
Aqui também se pode lanchar. A oferta de bolos caseiros é variada.

Este livro foi lançado recentemente, custa 35 euros e apresenta as 10 ilhas
habitadas do arquipélago cabo-verdiano. O autor teve uma belíssima ideia.
Está à venda na Papaia, em vários hotéis e também em várias livrarias de Portugal.
Saibam mais em http://www.nunoaugusto.com/ ou procurem a página
do livro no facebook.

8 comentários:

  1. Tem razão, os gelados são excepcionais...
    E o gelo não tem os perigos escondidos do de São Tomé. Fiquei foi sem palavras com as paisagens desérticas do norte da ilha:
    http://www.flickr.com/photos/84539764@N00/sets/72157622058107379/detail/

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  2. Descobri este blog e post através de uma pesquisa no Google sobre Cabo Verde.
    Estou de partida muito em breve para celebrar os meus 30 anos nessa ilha fantástica =).
    Muito obrigada pela partilha destas excelentes dicas gastronómicas que vou seguir à risca!

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  3. Então depois partilhe comigo as suas impressões sobre Cabo Verde. Parabéns pelo aniversário e boas férias!

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    1. Claro que sim!
      Terei todo o gosto em escrever sobre Cabo Verde e em partilhar o que lá viver. Aliás, se descobrir alguma novidade que não esteja neste post tão pormenorizado será ainda mais interessante =)
      Obrigada!!

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  4. é verdade sim senhora que se come bem. e muito bem, em Cabo Verde. Adoro aquela comida crioula e condimentada, e claro está o sempre presente peixe!!! Uma noite fomos comer no hotel Odjo d'agua apos recomendação de muitas pessoas, comi um atum de caril que vos digo, ainda hoje sonho com ele!!!! Em homenagem aos sabores exóticos até inaugurei no meu blog uma secção que chamei Sabores do Mundo e claro está não podia deixar de começar com a famosa Cachupa. Vai um pratinho?

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  5. Estou a fazer uma pesquisa para um livro e o seu blogue foi muito útil. Obrigada

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    1. Olá Ana Paula, obrigada pelo contacto, gostei muito de saber que os meus textos foram úteis. O seu livro é sobre viagens?

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