10 dicas para quem vai a São Tomé e ao Príncipe



- A não ser que tenha amigos na ilha com tempo para passear, é altamente recomendável contratar um guia que tenha um veículo todo-o-terreno. Foi o que eu fiz. O Kau tem um Jeep com capacidade para seis pessoas, conhece todas as estradas e propõe diferentes passeios. Até me podia ter aventurado a conduzir pela ilha, seguindo as dicas dos amigos, mas não sei se teria o sangue frio necessário para andar pelos maus caminhos onde andámos. E iria, seguramente, perder tempo precioso à procura de alguns locais de acesso complicado. Um guia, lá está, conhece sempre os melhores atalhos, sabe onde ficam todas as Roças, praias e cascatas e tem sempre umas gracinhas na manga para seduzir o turista. Tive a sorte esbarrar com o Cau  que, além de ser viajado, bom conversador, conhecedor de todas as plantas e pássaros da ilha e saber a potes de história e é giro que se farta. Ele nasceu no Príncipe pelo que  nos deu também algumas dicas fantásticas para melhor explorar a ilha, avisando desde logo que era obrigatório ir à Praia Banana. Fico-lhe eternamente agradecida porque foi a praia mais linda que conheci. Deixo aqui o contacto dele: carlosmax15@live.com.pt

- Convém levar roupa confortável, sapatos ou botas para caminhadas, garrafa de água, chapéu, toalha de banho, sapatos próprios para andar na areia (existem uns bicharocos que se podem infiltrar na nossa pele e depois são tramados de sair) e, "last but not least", óculos e tubo para fazer snorkeling. Não foi por acaso que voltei de férias apenas bronzeada na costas, rabo e parte de trás das pernas...

- Uma vez que não existem caixas de multibanco na ilha, em parte alguma (este post já tem alguns anos, nada como confirmar na embaixada se isto se mantém), convém andar sempre com algum dinheiro. Aliás, convém trazer euros de Portugal e trocá-los por dobras em qualquer lugar. Em qualquer lugar mesmo! Toda a gente faz câmbio de dinheiro e sempre pela mesma regra : 1 euro são 24.500 dobras. Mais honesto, é impossível. Mas cuidado (!),  as notas de 1000 e de 10.000 e as de 500 e 5.0000 são muito parecidas!

- Não é má ideia levar para os passeios alguns bolinhos e salgados para o caso da fome apertar. Eu abastecia-me todas as manhãs na Pastelaria Miguel Bernardes, onde também tomava o pequeno-almoço e marcava encontro com o Cau. É, talvez, a melhor pastelaria de toda a ilha e é famosa pelos iogurtes de limão de fabrico próprio. Se experimentarem, vão perceber porquê. Mas se por acaso estiverem sem víveres enquanto passeiam e a fome apertar, façam como eu fiz. Peçam a um puto qualquer que ande de catana à beira da estrada (e andam todos!) para vos ir apanhar uns cocos, umas mangas ou uma jaca.

- Encham as malas de brinquedos, canetas, livros, roupa usada e distribuam quando visitarem aldeias mais isoladas. Eu fiz a asneira de oferecer quase tudo o que levava em São Tomé e quando cheguei ao Príncipe só me apetecia cortar os pulsos por já não ter nada para oferecer! Enquanto em S. Tomé existem 160 ONG's que vão fazendo muito pelas comunidades, no Príncipe existem só duas. Raramente recebem donativos.  E as pessoas são dez vezes mais simpáticas e precisam muito, mas muito mais de ajuda!

- Nunca, mas nunca oferecer coisas à chegada a uma Roça... Basta verem um branco para as crianças começarem logo a gritar "Doce! Doce! Doce!" Se cairmos na asneira de os oferecer à chegada a uma Roça, é certinho que uns segundos mais tarde somos atropelados por dezenas e dezenas de outros miúdos que , de repente, parecem sair debaixo das pedras!!! E as carinhas tristes dos que já não levam nada são verdadeiras facadas no peito. O truque é dar o que temos para oferecer apenas no fim, já com o carro em andamento. E ainda assim, há miúdos que correm imenso tempo atrás de nós a gritar por mais. Parece estranho, mas é melhor fazer assim. E no regresso a casa, podemos sempre ocupar o espaço que ficou vazio nas malas com panos africanos e frutas exóticas.

- Aceite levar e trazer encomendas entre São Tomé e o Príncipe e vice-versa, caso alguém lhe peça. É normal fazerem estes pedidos no aeroporto já que o único barco comercial que existe faz ligações muito incertas e os voos entre as duas ilhas custam uma fortuna para os locais.

- Pedir sempre autorização para tirar fotos às pessoas. As crianças adoram ser fotografadas, mas os adultos nem por isso, excepto ao domingo quando anda tudo tão grogue com o vinho de palma que nem reparam. Por várias vezes, julguei que ia levar uma lambada ou mesmo uma valente coça pelo simples facto de apontar a lente a alguém... até nos fuzilam com o olhar! Medo...

- Experimentar novos sabores! Existem várias frutas que não se vendem sequer em Portugal, como o safu, o sape-sape, variedades de manga e de banana, fruta pão, cajamanga e papaias e mamões deliciosos (foi o que mais comi). Existe também um tubérculo que, depois de frito, dá um aperitivo excelente para acompanhar a cerveja local: mata-bala. E há peixes deliciosos, como a andala, o cherne, o peixe vermelho, o robalo, o bonito e o peixe-voador.

- Para deslocações curtas vale a pena chamar um moto-boy. Estão por todo o lado e cobram muito pouco. Recorri a eles várias vezes ao final do dia, para regressar a casa carregada de frutas.