Porque motivo é que os japoneses não gostam de sexo?

Um dos muitos rapazes para aluguer, uma profissão de sucesso onde
se pode ganhar entre 30 mil a 50 mil euros por mês. Ou mais, já que
algumas clientes apaixonam-se e chegam a oferecer Mercedes Benz...
Em Kabuki-cho existem"menus" afixados por todo o lado

O pórtico que assinala uma das entradas
para a zona de Kabuki-cho, em Shinjuku.

São muitas as casas que alugam espaços pequenos equipados
com TV e DVD. E é barato, uma hora custa  apenas 5 euros. 


Eu admito. Escolhi ficar num hotel de Kabuki-Cho, a red light district de Tóquio, para poder contemplar de perto a "fauna" local, já que há oito anos atrás só a tinha visto de raspão. Uma vez mais, a minha atracção pelo abismo falou mais alto e escolhi ficar num hotel bem no meio da acção, rodeado de bares de meninos e de meninas que ganham a vida a elogiar o sexo oposto enquanto lhes enchem o copo com champagne que nunca custa menos do que uns 150 euros por garrafa e pode mesmo chegar aos 3 mil euros... É a chamada indústria do consolo que no Japão gera milhões e milhões de yenes. É no mínimo curioso que este seja o país onde a indústria do sexo gera mais lucro em todo o mundo e, ao mesmo tempo, os japoneses tenham a fama, e parece que o proveito, de serem dos povos que menos gostas de praticar sexo. Os inquéritos feitos sobre este tema não mentem. Mas existem várias explicações que justificam esta realidade. todas elas de base cultural.


Um clube só de meninas gordas.
Uma das ruas de Kabuki-cho

Por incrível que pareça, mais de metade dos casamentos no Japão são combinados pelas famílias, o que faz com que não haja empatia entre o casal. Depois de terem filhos, os homens, de um modo geral, deixam de ver a esposa como uma mulher e passam a considerá-la apenas como um elemento da família. E claro, com tudo isto, a infidelidade acaba por ser uma coisa aceitável entre casais. Junte.se a estes factos a paranóia da limpeza (muitos consideram o sexo como uma coisa suja) e uma sociedade machista onde a mulher que se casa perde toda a sua liberdade e passa a ser submissa ao marido e voilá, temos todas as condições de sucesso para os Host Clubs. Nestes bares, as mulheres são chamadas de princesas (yuck..) e tratadas como tal,  ainda que tudo não passe de uma encenação exagerada, com direito a ensaios prévios, criada com o intuito de sorver ao máximo os yenes das clientes em garrafas de champanhe com preços escandalosos. Muitas destas clientes ganham bem e ainda vivem em casa dos pais (até porque nem sonham em casar), o que lhes dá um enorme poder de compra. E claro, também existem clubes para o sexo masculino, repleto de Lolitas, mas os clubes de homens é que dominam fortemente a vida de rua. Tanto os clubes de meninos como os de meninas têm regras em comum: nunca se pergunta a idade um cliente, nem o seu estado civíl, deve-se bombardear cada cliente com elogios ao corte de cabelo e à roupa, saber ouvir pacientemente os desabafos e estimular ao máximo o consumo de vinho e champanhe. Mais fútil, é impossível...

A entrada de um clube para homens com um écrãn onde passam
 imagens de meninas em bikini com corpo e voz de 12 anos...
A idade legal para  praticar sexo no Japão são os 13 anos.

Estes meninos vão todos os dias ao cabeleireiro para terem este visual de
Naruto. E maquilham-se melhor do que eu.

Aconselho a quem tenha curiosidade em saber mais sobre este fenómeno dos Host clubs, onde acima de tudo se procura mimo verbal e alguém que saiba escutar os desabafos do dia a dia (o sexo também pode ser encomendado, mas os clientes que o fazem são uma minoria), a ver este documentário.. Eu bem tentei entrar num deste clubes com uma amiga, mas estávamos mal penteadas, vestidas de ganga e máquina fotográfica ao pescoço, enquanto as  clientes normais se aperaltam como se fossem para um casamento. É claro que nos toparam à légua e disseram que o clube já estava quase a fechar, quando todos eles só encerram quando as últimas clientes vão para casa, e o bar em causa estava apinhado e a gritaria era infernal. Uma coisa eu sei, se lá entrasse, ia rir à gargalhada com todo o show off e a histeria teatral com que as mulheres são tratadas. Existem coros de rapazes que berram e batem palmas a torto e a direito, como podem ver aqui a partir dos 2 minutos e 30 segundos. Até custa a acreditar que as mulheres japonesas alinhem nestas encenações. Mas a ilusão de serem tratadas como raínhas, com vários homens pseudo-submissos a seus pés, no país que deu origem às gueixas, parece compensar cada yene. Ou seja, enganem-me que eu gosto! Os trabalhadores das Macholândias japonesas agradecem. E enriquecem...


O traje oficial destes rapazes de aluguer: fato escuro, sapatos bicudos
e penteados cheios de estilo.