Blog com relatos, dicas e pensamentos para quem também foi mordido pelo bichinho das viagens.
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Excursões com partida de Santa Maria do Sal
Quem vai ao Sal pode fazer as seguintes excursões:
.- Passeio de volta à ilha (bem mais barato nas agências da vila do que nos hotéis)
- Passeios de barco ou catamaran para ir ver golfinhos e baleias
- Passeios em barco de pesca
- Passeios de barco para mergulhadores
- Circuitos em Moto-4
- Passeio de carro até um local de águas baixas para ver os tubarões-limão
- Excursões a outras ilhas de barco ou de avião.
Eu optei por ir a Santiago mas já levava a marcação feita de Lisboa. E vale a pena ficar, pelo menos, dois dias para ir ao Tarrafal ver o campo de concentração, fazer praia na baía do Tarrafal, atravessar a Serra da Malagueta, ir ao mercado da Assomada e ir à Ribeira Grande, mais conhecida por cidade velha, classificada Património Mundial da Humanidade. É o relato que se segue.
Milu di Funaná
Para terminar o relato da visita à ilha do Sal, tenho de falar das noites do Funaná. Posso não ter ficado maravilhada com a comida, mas adorei ver as danças africanas e ver a Milu a cantar, a dona do restaurante que é também cabeça de cartaz todas as sextas-feiras. As imagens estão um pouco escuras, mas dá para ter uma noção dos ritmos frenéticos do acordeão. E os rabos das dançarinas a mexerem-se sózinhos, como se tivessem vida própria? Hipnotizante!
O Hotel onde fiquei na ilha do Sal
Gostei do Hotel Oásis Belorizonte. Fiquei instalada num bungalow renovado com espaço de sobra para guardar as malas, ar-condicionado, frigorífico, telefone, secador e televisão com alguns canais satélite, entre os quais a RTP1 e a SIC. Só não gostei de não ter Wi-Fi no quarto e de a net ser paga. Mas ok, há que dar o desconto, estamos em África.
A diferença entre este hotel e o Hotel Oásis Novorizonte (ficam colados um ao outro), é que neste último todos os hóspedes andam de pulseirinha, ou seja, têm regime Tudo Incluído. Deste modo, acabam por nunca ir conhecer os restaurantes da ilha e convivem menos com os cabo-verdianos. Tanto quanto soube por um cliente habitual, a comida e animação do hotel já tiveram melhores dias. Mas eu só posso falar do pequeno-almoço que era perfeitamente aceitável. O resort tem restaurante, bares, 3 piscinas e um kids club. Mas com aquela praia maravilhosa mesmo ali ao lado, quem é que ir para a piscina?
A diferença entre este hotel e o Hotel Oásis Novorizonte (ficam colados um ao outro), é que neste último todos os hóspedes andam de pulseirinha, ou seja, têm regime Tudo Incluído. Deste modo, acabam por nunca ir conhecer os restaurantes da ilha e convivem menos com os cabo-verdianos. Tanto quanto soube por um cliente habitual, a comida e animação do hotel já tiveram melhores dias. Mas eu só posso falar do pequeno-almoço que era perfeitamente aceitável. O resort tem restaurante, bares, 3 piscinas e um kids club. Mas com aquela praia maravilhosa mesmo ali ao lado, quem é que ir para a piscina?
| Para mim, esta é a piscina mais bonita e acolhedora, embora seja a mais pequena de todas. |
| Todos os bungalows têm um alpendre simpático com mesa e cadeiras. |
A volta à ilha do Sal
| O posto oinde tentei alugar carro e fiquei a saber mais sobre o macho cabo-verdiano... |
Para dar a volta à ilha e ir ver os locais obrigatórios - Espargos, Palmeira, Buracona, Terra Boa e Salinas de Pedra Lume - tentei alugar um Jeep ou uma Pick Up (60 euros por um dia) num pequeno stand que existe junto ao "calçadão", quase em frente ao Hotel Morabeza. Por causa do Mundial de Windsurf, não havia carros disponíveis... Mas lá me fizeram o especial favor de fazer alguns contactos e, alguns telefonemas mais tarde, garantiram-me carro para o dia seguinte, às 10h30. A esta hora, apareci lá à porta, eu e mais um grupo de turistas que aguardava a excursão para dar a volta à ilha (pode custar 35 euros nos hotéis e 15 euros numa agência...). O rapazito apareceu às 11h00, com duas horas apenas de sono em cima porque tinha ido para a noite na véspera... E não tinha boas notícias. A pessoa que nos ia trazer o carro não tinha dado mais sinais de vida e não estava a atender o telemóvel... Era domingo. E o motorista que ia dar à volta à ilha com turistas, passeio que faz todos(!) os domingos, naquele dia pura e simplesmente esqueceu-se de aparecer... Levou uma "coça" por telefone e às 11h15 lá estava ao pé de nós com a carrinha... Cabo-Verde é assim mesmo, não vale a pena stressar. Ainda assim, valeu a pena ter ido a este stand só para ouvir as histórias engraçadas que o rapaz que nos atendeu foi contando. Ficámos a saber que as nórdicas adoram levar cabo-verdianos para casa, entre outras coisas. Mas depois, quase todos regressam à ilha uns anitos mais tarde... Aposto que sei a razão.
Conclusão, tivemos de alugar um táxi com motorista mas já só conseguimos para o dia seguinte visto que já era quase meio-dia. Por 70 euros, andámos um dia inteiro a passear com o Senhor Arlindo (telefone: 238-9926862), desde as 10h30 até às 18h00, que nos levou a comer a lagosta suada a um restaurante em Espargos que só quem conhece é que lá vai. Vamos às imagens de Espargos.
| Há sempre um cyber café em cada bairro |
| Este monte é visível de quase toda a parte. |
| Palmeira é ponto de passagem de muitos turistas até porque tem um restaurante famoso pela sua lagosta, o "Nós Pimba" |
| Há vátias lojas de souvenirs. Uma vez mais, os senegaleses dominam o comércio. Já sabem, tudo baixa de preço para metade ou até menos. |
| Mais um cyber-café |
| Barco a descarregar peixe |
| Miúdos que já nascem com guelras... |
| É frequente as casas terem cores bem garridas como amarelão, lilás, laranja ou verde-alface. |
Depois de Palmeira, seguimos para Buracona, uma piscina natural. Para lá chegar é preciso fazer vários quilómetros numa estrada de terra batida. A piscina é bonita mas, sinceramente, continuo a achar que não há melhor do que as piscinas naturais de Porto Moniz, na Madeira.
| Sabe bem tomar aqui uma banhoca depois de uma manhã inteira a apanhar calor. E dá para ver alguns peixinhos porque a água é cristalina e não muito profunda, cerca de dois metros e meio. |
| É no local onde tirei esta foto que se entra e sai da água com grande facilidade. |
Depois de umas banhocas nestas águas mornas e apetecíveis, passámos pela Terra Boa. Como o próprio nome indica, são terras férteis onde basta que caiam uns pingos de chuva para crescer logo uma bananeira, maçarocas de milho e pés de feijão. São terras muito apetecidas e a paisagem aqui destoa por completo da visão árida do resto da ilha. É local onde a chuva mais aparece, embora tal aconteça apenas de quando em quando, umas três a cinco vezes ao ano. Antes de aqui chegar, o Arlindo chamou-nos a atenção para um fenómeno curioso. As miragens. Ao longe, neste local, parecia estar um imenso lago embora lá tivéssemos passado uns minutos antes e soubéssemos que só havia terra e mais terra. Nem na Tunísia, quando fui ao deserto, vi nada assim. É daquelas coisas que, se estivesse de carro alugado, escapava-me por completo...
| Os campos verdes da Terra Boa. |
Depois de almoçar, e muito bem, em Espargos no Restaurante "Maninho Almeida", fomos ver as salinas de Pedra Lume. São as únicas salinas do Mundo que ficam na cratera de um vulcão. E podemos tomar banho nelas experimentado uma sensação idêntica à de quem se banha nas águas do Mar Morto já que estas águas contêm 15 vezes mais sal do que o normal e conseguimos flutuar sem o mínimo esforço. Numa das salinas a água chega a ser tão quente que não dá para aguentar muito tempo lá dentro. Mas na outra ao lado já é morna. Mas atenção, é preciso ter cuidado para não deixar entrar água nos olhos.
| A praia de Pedra Lume onde vi uma só alminha a tomar banho. |
| Edifícios de apoio às salinas já desactivados. |
| A entrada é feita por este túnel depois de pagar cinco euros por pessoa. |
| Depois de passar o túnel, passamos pelo bar e pelo SPA onde se podem fazer várias massagens e tratamentos com sal a preços muito simpáticos! |
Onde comer na ilha do Sal
Come-se bem em Cabo-Verde. O peixe, claro está, é o prato do dia todos os dias. Não me cansei de andar uma semana a alternar entre peixe-serra, atum e garoupa. Já o inverso, quando fui à Argentina e passei mais de uma semana quase sempre a comer carne, não tem tanta graça...
Os preços da comida variam consoante se coma no centrinho da vila ou nos afastemos um pouco mais. O Funaná eo Café Central são dos restaurantes que mais turistas chamam graças aos shows de música ao vivo todas as noites. E não são muito mais caros que os restantes, com pratos entre os 1000 e os 1300 escudos. Mas vale a pena arriscar outros locais onde se come igualmente bem e mais barato. Convém ter cuidado com as saladas cruas e com o gelo das bebidas. Foi o que fiz...nos primeiros dias. Depois, com o calorzinho que estava, fui-me esquecendo das recomendações e arrisquei comer algumas rodelas de tomate e bebidas com gelo. E sobrevivi para contar.
De um modo geral, o preço de um prato num restaurante varia entre os 8 e os 12 euros. Ou melhor, os 800 e os 1200 escudos cabo-verdianos. Mas como o câmbio de 100 escudos equivale a 1.10 euro, compensa trocar euros por escudos já que a conversão que fazem em todo em lado é de 1 euro por cada 100$00, estão ver? Quem paga em euros, fica a perder. Mas voltando à comida, posso afirmar que comi bem em quase todo o lado. Adorei as espetadas mistas de peixe-serra e atum, as garoupas grelhadas, o bife de peixe-serra, as barrigas de atum, a lagosta suada, a cachupa-rica, o pudim de queijo, os doce de papaia com queijo e as papaias da ilha de Santiago. Tudo isto regado com cerveja Strela, bem boa por sinal. Mas quem quiser, encontra Compal, Sagres, Superbock, vinhos portugueses e café Delta em todo o lado!
| O prato de garoupa grelhada no Funaná. Não me agradou, mas era só o que havia para servir às 21h30, hora a que me sentei à mesa. |
| O interior do Américos |
De todos os sítios onde comi, vou recordar e recomendar a garoupa do Américos, com um acompanhamento muito bem preparado de batatas e legumes cozidos, salteados no ponto perfeito de cozedura e com um tempero excelente. Os pratos andam entre os 8 os 12 euros, o serviço é muito simpático e a qualidade altamente recomendável! Recomendo também a sandes "gourmet" de vitela com cebola da esplanada "Papaia", os preços bem simpáticos do restaurante Compad e o bom peixe, bom ambiente, boa música e belíssimos preços da Lanchonete D'Angela.
| O prato do dia era Modje e não resisti a experimentar. Trata-se de um guisado com carne de cabrito e legumes que mais parece uma sopa. Come-se bem e vem acompanhado com um puré de milho. |
A ida ao Restaurante "Maninho de Almeida" ficou marcada pela oportunidade de apertar a mão a um dos músicos mais prestigiados de Cabo-Verde: Paulino Vieira. Para quem não sabe, foi ele que compôs "n" músicas da Cesária Évora, entre elas o clássico "Sôdade", que enjoei de tanto ouvir em todo o lado... Parece que ele andou anos e anos a reclamar direitos da música e finalmente lá conseguiu, alguns cabelos brancos mais tarde. Só com os direitos desta música, já deve pagar algumas contas. Fora as outras que tem e os muitos espectáculos que vai dando pelo mundo fora. Sim, é que os cabo-verdianos são como os portugueses, estão em todo o lado. Principalmente na Holanda, Itália, França, Portugal e Estados Unidos. Todos os cabo-verdianos que conheci nesta viagem, sem excepção, têm família no estrangeiro.
| Lanchonete D'Angela numa sexta à noite. Um dos poucos restaurantes frequentados pelos locais. Preços muito em conta e boa música ao vivo. |
| Esta banda dava um toque pessoal a alguns clássicos da música cabo-verdiana, em mornas e coladeiras |
| Uma garoupa grelhada que bateu a do Funaná aos pontos tanto em sabor como em tamanho e em preço: 600 escudos. |
Fui jantar à Lanchonete D'Angela por recomendação de um português que tem casa na ilha do Sal (ficam a saber que um apartamento pequeno - T1 - custa de 25 mil euros para cima, um preço muito em conta) , que fica num beco de uma rua um pouco mais afastada do centro, a apenas 3 minutos a pé da praça central. O único contra foi ter uns seis cães a rondar as mesas com um olhar misericordioso. Mas nem chateavam nada. A mim, que tenho tanto amor de cão para dar (um dia ainda hei de ter um!), só me comoveram e tive pena que não gostassem de peixe. Taditos!
E agora a surpresa das surpresas. Alguma vez me iria ocorrer que na ilha do Sal iria comer gelados tão bons como os da Sardenha? Nunca. Mas a gelataria Giramondo surpreendeu-me com os seus sabores artesanais. Gerida por italianos, tem gelados, crepes e batidos. A variedade de sabores não é fantástica. Mas os gelados têm um aspecto delicioso e são mesmo italianos. Soube-me tããão bem saborear uma bola depois de ter comido um peixe desenchabido num restaurante que foi um erro de casting (Café Crioulo).... E o preço? Um euro cada bola. E as bolas são grandes. Quem viajar com crianças tem de as trazer aqui!
| A gelataria tem uma pequena esplanada |
| Recomendo vivamente o sabor que experimentei: gelado de banana com Nutella. |
Para tomar uma bebida ou petiscar alguma coisa, o bar-restaurante Papaia apresenta a vantagem de desfrutar de uma localização privilegiada. Foi o único bar que encontrei mesmo juntinho ao mar e coladinho a uma pequena praia, ou seja, dá para ir tomar uma banhoca e ver quando é que o empregado chega à nossa mesa com o nosso pedido, para depois nos sentarmos a comer ainda com o corpo fresco, a escorrer pingas de água salgada. Adoro! Para lá chegar, é preciso entrar no aldeamento do Hotel Odjo D'Agua, embora o bar não lhe pertença. Soube deste bar porque vi fotos numa revista e pareceu-me ser engraçado e ter uma vista única. É bastante diferente de todos os outros sítios onde fui comer. É um espaço moderno, com design, um menu mais "gourmet" e música alternativa. Não tem alma cabo-verdiana, é certo. Mas ainda assim merece bem uma visita pela esplanada magnífica.
| A vista soberba de uma das esplanadas do Café "Papaia" |
| A minha sandes de vitela com cebola que, pelos vistos, daria para dois. O que vale é que a água do mar é morna e não vale a pena esperar pela digestão se entrarmos na água devagarinho. |
| Havia dois turistas a fazer snorkeling nesta zona, uma das poucas onde o fundo do mar é rochoso. Mas não contem com peixes coloridos. Há imensos peixes mas são todos brancos e cinzentos. |
| Aqui também se pode lanchar. A oferta de bolos caseiros é variada. |
| Este livro foi lançado recentemente, custa 35 euros e apresenta as 10 ilhas habitadas do arquipélago cabo-verdiano. O autor teve uma belíssima ideia. Está à venda na Papaia, em vários hotéis e também em várias livrarias de Portugal. Saibam mais em http://www.nunoaugusto.com/ ou procurem a página do livro no facebook. |
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