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Pelos caminhos de São Tomé



Já aqui referi em posts anteriores a Ban Bé Non Tours, uma agência de turismo que promove passeios pela ilha de S. Tomé com transporte e guia inclúidos, aluga viaturas para quem se quiser explorar a ilha por conta própria e também propõe a contratação de guias e a marcação de alojamento.


De todos os passeios que fazem, destaco o passeio do Sul onde, na minha opinião, ficam as praias mais bonitas de São Tomé (sim, são mesmo praias de revista, quase sempre desertas) e o famoso Pico do Cão Grande, uma formação rochosa impressionante, com mais de 650 metros de altura. Uma coluna de magma imensa que foi tudo o que sobrou de um antigo vulcão que por ali existiu há muito tempo atrás.


Para fazer este passeio, basta entrar em contacto com a Ban Bé Non Tours (banbenon@gmail.com) e, se mencionar este post e o nome do blog, beneficiará de um desconto de 10%. Mas se puder, faça também os outros tours. É que a ilha é linda de norte a sul! Vale a pena ver tudo de uma ponta à outra.

Ter ou não ter guia em São Tomé, eis a questão.




Desde que fui a São Tomé e ao Príncipe, nunca recebi tantas mensagens, umas via comentários no blog e outras via mensagem privada (formulário de contacto). É rara a semana em que não me chegam à caixa de correio três ou quatro mensagens de alguém que anda a planear uma viagem a São Tomé ou ao Príncipe ou de alguém que lá esteve e me escreve a contar como foi a viagem. As duas perguntas mais comuns são: "Fez a profilaxia da malária?" e "Recomenda passeios com guia ou posso alugar carro e partir à aventura?". Invariavelmente, as respostas são sempre "Sim, tomei Malarone e não se brinca com a malária neste destino, apesar de haver cada vez menos registos da doença na ilha" e " Sim, recomendo contratar um guia porque os dias não são longos e há que aproveitar cada minuto de luz numa ilha que não prima pela boa sinalética rodoviária nem por boas estradas.... ". Acresce ainda que ter um guia é ajudar a economia local e aprender muito mais sobre a ilha, já que os guias sabem de História, conhecem a fauna e a flora local e sabem o que fazer caso caía uma arvore na estrada ou caia uma das pontes que temos de atravessar (eu tive de contornar uma ponte que ruiu, atravessando o rio de Jeep...). Ainda que, para mim, não haja melhor guia do que o Cau, esta empresa  - Banbénon - é uma alternativa a considerar.






Há poucos meses atrás, fui contactada pela Banbénon Tours para conhecer a oferta de passeios da mesma e agora trocamos impressões regularmente. Ainda não fiz nenhum passeio com eles mas gosto muito da forma como se apresentam, da oferta de passeios disponíveis, da possibilidade de fazer tours por medida e dos preços que praticam, que ficam um pouco abaixo da média. Gosto de ver que têm uma oferta alargada de serviços, fazendo também reserva de transfers, de alojamento e de rent a car. Estão permanentemente em busca de novas ideias para criar passeios diferentes, como o Circuito do Chocolate, o Circuito Nocturno, os Passeios de Bicicleta ou as Caminhadas ecológicas com banhos de cascata pelo meio, e estão sempre focados na satisfação dos clientes. MAs atenção, ainda estão a começar, são uma empresa nova. Este ano tenho familiares que vão experimentar alguns destes passeios e, para o ano, tudo indica que irei regressar a São Tomé e ao Príncipe pelo que depois deixo aqui mais impressões sobre esta empresa. Até lá, vou acompanhando pelo facebook o que andam a fazer e babando com as magníficas fotos que vão apresentando e que me fazem sempre recordar o quanto já fui feliz lá para os lados do Equador.

Uma das muitas praias desertas da ilha de São Tomé.

São Tomé: Roça Água Izé


Até me doeu a alma com o estado de degradação desta Roça. Porque apesar de estar em fanicos, conseguimos ver a glória de outros tempos. Foi construída em finais do séc. XVIII e adquiriu o nome do rio que a atravessa. Fica no distrito de Cantagalo e tem 80 km2. Hoje em dia ainda produz cacau e café, em pequenas quantidades, e plantas ornamentais. Antes de chegar à Roça Água Izé, tinha passado pela Roça Colónia, pela Roça Caridade e pela Roça Açoriana. Elas são tantas, mas tantas, que ou parava para as ver e esquecia a máquina fotográfica, ou então não fazia outra coisa se não fotografar. Optei pela primeira via e só fotografei mesmo as mais espectaculares.

São Tomé: Na Roça com os Tachos.

A Roça fica a 40 km da cidade que se fazem em cerca de uma hora e um quarto.
A Roça já pertencia à família do actual dono

O alpendre da Roça é, talvez, a parte da casa que recebe mais elogios.

Esta era uma das roças que mais queria visitar, até porque conheço quem costume passar aqui férias e os relatos da experiência foram muito inspiradores. Além disto, esta roça, uma das poucas que não pertence ao estado, é, provavelmente, o melhor exemplo de adaptação de uma roça a unidade hoteleira. O gerente é uma figura pública, conhecido em Portugal pelo seu programa de televisão "Na Roça com os Tachos", e um forte impulsionador da cultura e da educação de São Tomé, dentro e fora da ilha. Uma espécie de embaixador da Cultura. É ele, o João Carlos Silva, que organiza a bienal de cultura de São Tomé e Príncipe e que dirige a CACAU, o centro de artes na cidade. Mas voltando à Roça, tem 6 quartos para alugar por 35 euros por noite (partilham 3 casas de banho), também serve refeições a quem venha de fora, por cerca de 15 euros por pessoa, e vende artesanato da ilha, muito dele feito ali mesmo, nas oficinas de artes adjacentes onde ensinam pintura  e teatro. A Roça tem guias que organizam vários passeios, não fosse ela uma unidade vocacionada para o turismo cultural e da natureza. Mas o melhor de tudo deve ser estar esparramada numa daquelas redes depois de uma almoçarada repleta de iguarias. Deve ser, como diria o dono da roça, "Bonito! Bonito! Bonito!".


Um dos livros de receitas mais vendidos do João Carlos.
Um brinquedo em exposição. Vi muitos miúdos a brincarem carrinhos destes.
Um dos quartos da Roça São João
A vista para a Baía de Santa Cruz.

São Tomé. Um almoço magnífico no restaurante Mionga.

O restaurante Mionga fica a cerca de uma hora e um quarto da cidade
de São Tomé e não tem menu. Sentamo-nos e comemos o que vão
trazendo. Adoro este efeito surpresa!
Enquanto comemos, podemos apreciar os pescadores com as suas pirogas.
Parece Angra dos Reis, mas é São Tomé.
O alpendre com vista para a Baía de Angolares
Em frente ao letreiro do "mionga". Reparem bem no tamanhão da planta
que está atrás de mim. Parece uma planta do período jurássico!


Se alguém for viajar para São Tomé e me vier pedir dicas, ir almoçar ao Nelito vai ser a dica nº1!!! Só a vista já compensa a deslocação a Angolares. Mas, para ajudar à festa, come-se estupidamente bem e barato! E adoro este tipo de serviço. Não temos direito a escolher nada de nada. Sentamo-nos, pedimos as bebidas e depois vamos comendo aquilo que nos põem à frente: caranguejos com molho de caril, tirinhas de choco com lima, bolinhos de peixe, peixe voador frito, peixe serra grelhado, banana frita. e café. Tudo muito bem confeccionado e com um atendimento ultra simpático! Deu direito ao Nelito vir à nossa mesa perguntar se estava tudo bem. E estava tudo delicioso, incluindo o preço, cerca de 8 euros por pessoa! E depois temos "a" vista que não tem preço... Se houve local em São Tomé onde o queixo me caiu com a paisagem, foi aqui. OK, na ilha do Príncipe o queixo caiu várias vezes seguidas. Mas em São Tomé, foi neste local com esta vista magnífica de mar. E é isso mesmo que significa a palavra "mionga". Mar. 
Vale a pena resumir a história de vida do Nelito, já publicada no suplemento Fugas do jornal Público. Depois de trabalhar 3 anos no restaurante do Hotel Pestana do ilhéu das Rolas e outros 3 no restaurante da Roça de São João dos Angolares (sim, aquela do cozinheiro de "Na roça com os tachos"), o Nelito ganhou asas e atirou-se de cabeça para este projecto. É agora muito admirado pela seu espírito empreendedor e pela sua humildade, já que não há muitos são tomenses que arrisquem abrir negócios. Mas o esforço compensou. Agora, são cada vez mais as pessoas que aqui vêm comer. E embora a Roça tenha fama de servir muitíssimo bem, a vista do Nelito dá-lhe 4 a 0... Posso dizer isto porque também fui visitar a Roça. Mas não almocei "com os tachos". Se tivesse tido mais tempo, gostava de o ter feito mas decidi confiar nas dicas da minha amiga T, cujos olhinhos brilhavam só de falar no Nelito. Agora entendo-te, T. Entendo-te perfeitamente...

São Tomé: Angolares, Praia Jalé e Praia Piscina



Foi com grande expectativa que, no terceiro tour que fizemos à ilha de São Tomé, rumámos para sul da cidade. O tempo estava agradável, com boas abertas de sol, e adivinhavam-se paisagens de cortar a respiração. Finalmente iria ver as famosas praias Jalé e Piscina de que tanto ouvira falar. Enquanto a norte da cidade existem poucas praias com boas condições (as praias de Tamarindos e das Conchas são as mais cobiçadas), a sul são umas atrás das outras, quase sempre vazias. E a verdade é que à medida que fomos descendo, foram muitos os suspiros contemplativos. Passámos pela praia de Micondó, pela praia das Sete Ondas e pela praia de São João dos Angolares. Esta última, não é tão apetecível para banhos, mas tem um enquadramento paisagístico fabuloso. E almoçar no "Nelito", com vista para esta praia, foi seguramente um dos pontos altos da viagem!. Foi a melhor refeição de todas as que fiz, com a melhor vista e o melhor serviço! Uma dica preciosa da minha amiga T. , residente na ilha, que me disse "Se fores comer à Roça de São João não comes nada mal e o sítio é agradável. Mas vais pagar 15 euros por cabeça. O Nelito é mais em conta e a vista é uma coisa  que......só vendo....depois dizes-me o que acháste.". E eu digo que foi um almoço de quase duas horas, verdadeiramente memorável, com uma vista estupenda e um preço do outro mundo para um menu de degustação com 5 pratos deliciosos! Entrada de caranguejo, pratos de peixe, banana flambé, tudo acompanhado de uma cerveja fresca local. Valeu cada cêntimo!

A praia Micondó vista da estrada. Vazia....

O caminho até São João dos Angolares é bastante acima da média. A viagem faz-se em cerca de uma hora e um quarto. A estrada está em boas condições e até estranhei a falta de solavancos do jeep. Mas de São João para a frente é de fugir! Os buracos têm muita pouca estrada... Mas dá perfeitamente para fazer um passeio de um dia até ao sul e voltar com várias paragens para banhos. Convém levar uns snacks porque há muito poucos sítios onde se pode parar para comer. A meio da tarde, a fome apertou e não encontrávamos nenhum sítio para comer. Mas depois lembrei-me da conversa de uma ex-colega de trabalho que nasceu em São Tomé. Disse-me, em tempos, que onde quer que estivéssemos na ilha,  bastava chamar uns putos e dar-lhe uns trocos para eles nos irem apanhar jaca, coco ou banana. E assim fiz. Foi só conversar com uns putos de catana que vimos à beira da estrada e pouco depois estávamos  já consoladinhas a beber água de coco e a comer o miolo. E os putos felizes da vida a vestirem roupa nova (fui espalhando presentes pela ilha fora). Gosto tanto destes improvisos!
Os marcos da estrada são bem portuguesinhos


Outro sinal bastante antigo

E agora a vista da estrada em São João dos Angolares, digam lá se não é qualquer coisa? Lembrou-me imenso o nordeste brasileiro. Aliás, por várias vezes comparei S. Tomé com o Brasil. Estive em locais que se me dissessem que ficavam na Costa Verde, abaixo do Rio de Janeiro, acreditava.



Este rochedo de mil metros de altura é conhecido por "Cão Grande" e
é um dos ex libris da ilha.


Outro momento inesquecível desta viagem foi atravessar esta estrada que vêm na imagem acima e de repente atravessar uma núvem de falcões a voar! Estavam todos pousados na estrada até o nosso jeep passar. Nunca tinha visto tantos falcões de uma só vez e nunca tinha tido tantos a voar à minha volta.


A senhora da direita, com quem estivemos um pedaço à conversa,
era ruiva!!! E o bebé que tinha às costas....ruivo era!
Uma imagem comum em cada vila: o peixe a secar o sol. Quase ninguém
tem frigorífico em casa para conservar o que pesca...
Praia das Sete Ondas


Ao fundo, o ilhéu das Rolas. Optei por não ir lá já que ia
ao Príncipe que supera, e muito, as Rolas em beleza.
A Praia Jalé, mesmo a sul da ilha, onde as tartarugas vão desovar em
certas alturas do ano. Dezembro é o melhor mês para as ver em acção.


O Jalé Ecoresort aluga 4 bungalows com cama de casal a turistas com espírito aventureiro, já que fica num local bastante isolado. A água corrente é proveniente das chuvas e só existe uma casa de banho, para partilhar entre todos. Ah, e não há electricidade. Ou seja, a partir das 17h30, somos só nós, o mar e alguns morcegos. Atreviam-se?


Depois de salivar com tanta praia de água azulinha e grandes areais, parámos para banhos na Praia Piscina.



A "piscina" que dá nome à praia. Estava um bocadito sujo o fundo do mar, com latas
 e garrafas dos piqueniques de domingo,... Ainda assim, a água
era cristalina e tinha imensos peixinhos para ver.
A cor da água: apetitosa!
Um outro resort, novinho em folha, perto da Praia Inhame. Vi as casas por dentro
e eram bem simpáticas. Preço:80 euros por noite  um bungalow para 2 a 4 pessoas.

Nesta imagem "só" dá para contar 10 falcões. Mas eram às dezenas e assim
que o Jeep se aproximou, começou tudo a voar por cima de nós.


Cidade de São Tomé:




Vendedor de vassouras.
Este até gostou de ser fotografado.


A morada oficial do Presidente de São Tomé

Para comprar panos africanos (made in Nigeria ) é aqui o spot indicado. 
Estádio de futebol

Esta foto foi conseguida por ter sido tirada do 1º piso, caso contrário teria
sido enxovalhada. Só de verem a máquina fotográfica na mão, as vendedoras
começavam logo a gritar que não queriam disparos... 

A cidade de São Tomé não é muito grande e podemos vê-la toda andando a pé. Mas ao longo de uma semana acabamos por passar várias vezes nos mesmos locais. Os locais que mais repeti foram os mercados. Umas vezes porque fui comprar fruta (a mala que levava cheia de roupa, livros e brinquedos voltou carregadinha de papaias, mangas, banana maçã e aperitivos de mata bala), outras para ir comprar panos africanos (custam entre 25 mil e 30 mil cada, ou seja, um euro e pouco....).  Mas atenção, ao final do dia, é preciso coragem para visitar alguns mercados. Houve um dia que tive de sair a correr de um dos mercados porque o "mix" dos odores adocicados da fruta com os odores a restos de peixe, e sabe-se lá mais o quê, faziam uma combinação explosiva...

Restaurante e Pousada "Bigodes". Passei aqui umas horas à conversa com outros
tugas residentes na ilha. Um deles, sabemdo que eu ia para o Príncipe, teve a feliz
ideia de me falar de um acidente, há uns anos trás, com um avião que vinha do Príncipe,
nesta mesma baía...