
Foi com grande expectativa que, no terceiro tour que fizemos à ilha de São Tomé, rumámos para sul da cidade. O tempo estava agradável, com boas abertas de sol, e adivinhavam-se paisagens de cortar a respiração. Finalmente iria ver as famosas praias Jalé e Piscina de que tanto ouvira falar. Enquanto a norte da cidade existem poucas praias com boas condições (as praias de Tamarindos e das Conchas são as mais cobiçadas), a sul são umas atrás das outras, quase sempre vazias. E a verdade é que à medida que fomos descendo, foram muitos os suspiros contemplativos. Passámos pela praia de Micondó, pela praia das Sete Ondas e pela praia de São João dos Angolares. Esta última, não é tão apetecível para banhos, mas tem um enquadramento paisagístico fabuloso. E almoçar no "Nelito", com vista para esta praia, foi seguramente um dos pontos altos da viagem!. Foi a melhor refeição de todas as que fiz, com a melhor vista e o melhor serviço! Uma dica preciosa da minha amiga T. , residente na ilha, que me disse "Se fores comer à Roça de São João não comes nada mal e o sítio é agradável. Mas vais pagar 15 euros por cabeça. O Nelito é mais em conta e a vista é uma coisa que......só vendo....depois dizes-me o que acháste.". E eu digo que foi um almoço de quase duas horas, verdadeiramente memorável, com uma vista estupenda e um preço do outro mundo para um menu de degustação com 5 pratos deliciosos! Entrada de caranguejo, pratos de peixe, banana flambé, tudo acompanhado de uma cerveja fresca local. Valeu cada cêntimo!
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| A praia Micondó vista da estrada. Vazia.... |
O caminho até São João dos Angolares é bastante acima da média. A viagem faz-se em cerca de uma hora e um quarto. A estrada está em boas condições e até estranhei a falta de solavancos do jeep. Mas de São João para a frente é de fugir! Os buracos têm muita pouca estrada... Mas dá perfeitamente para fazer um passeio de um dia até ao sul e voltar com várias paragens para banhos. Convém levar uns snacks porque há muito poucos sítios onde se pode parar para comer. A meio da tarde, a fome apertou e não encontrávamos nenhum sítio para comer. Mas depois lembrei-me da conversa de uma ex-colega de trabalho que nasceu em São Tomé. Disse-me, em tempos, que onde quer que estivéssemos na ilha, bastava chamar uns putos e dar-lhe uns trocos para eles nos irem apanhar jaca, coco ou banana. E assim fiz. Foi só conversar com uns putos de catana que vimos à beira da estrada e pouco depois estávamos já consoladinhas a beber água de coco e a comer o miolo. E os putos felizes da vida a vestirem roupa nova (fui espalhando presentes pela ilha fora). Gosto tanto destes improvisos!
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| Os marcos da estrada são bem portuguesinhos |
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| Outro sinal bastante antigo |
E agora a vista da estrada em São João dos Angolares, digam lá se não é qualquer coisa? Lembrou-me imenso o nordeste brasileiro. Aliás, por várias vezes comparei S. Tomé com o Brasil. Estive em locais que se me dissessem que ficavam na Costa Verde, abaixo do Rio de Janeiro, acreditava.
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Este rochedo de mil metros de altura é conhecido por "Cão Grande" e
é um dos ex libris da ilha. |
Outro momento inesquecível desta viagem foi atravessar esta estrada que vêm na imagem acima e de repente atravessar uma núvem de falcões a voar! Estavam todos pousados na estrada até o nosso jeep passar. Nunca tinha visto tantos falcões de uma só vez e nunca tinha tido tantos a voar à minha volta.
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A senhora da direita, com quem estivemos um pedaço à conversa,
era ruiva!!! E o bebé que tinha às costas....ruivo era! |
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Uma imagem comum em cada vila: o peixe a secar o sol. Quase ninguém
tem frigorífico em casa para conservar o que pesca... |
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Praia das Sete Ondas
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Ao fundo, o ilhéu das Rolas. Optei por não ir lá já que ia
ao Príncipe que supera, e muito, as Rolas em beleza. |
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A Praia Jalé, mesmo a sul da ilha, onde as tartarugas vão desovar em
certas alturas do ano. Dezembro é o melhor mês para as ver em acção. |
O Jalé Ecoresort aluga 4 bungalows com cama de casal a turistas com espírito aventureiro, já que fica num local bastante isolado. A água corrente é proveniente das chuvas e só existe uma casa de banho, para partilhar entre todos. Ah, e não há electricidade. Ou seja, a partir das 17h30, somos só nós, o mar e alguns morcegos. Atreviam-se?
Depois de salivar com tanta praia de água azulinha e grandes areais, parámos para banhos na Praia Piscina.
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A "piscina" que dá nome à praia. Estava um bocadito sujo o fundo do mar, com latas
e garrafas dos piqueniques de domingo,... Ainda assim, a água
era cristalina e tinha imensos peixinhos para ver. |
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| A cor da água: apetitosa! |
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Um outro resort, novinho em folha, perto da Praia Inhame. Vi as casas por dentro
e eram bem simpáticas. Preço:80 euros por noite um bungalow para 2 a 4 pessoas. |
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Nesta imagem "só" dá para contar 10 falcões. Mas eram às dezenas e assim
que o Jeep se aproximou, começou tudo a voar por cima de nós. |