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O melhor de São Paulo? A arte urbana!

Em Lisboa já tivemos o Cow Parade. Em São Paulo,
fazem o Mónica Parade na Avenida Paulista.
Mural no Bairro da Liberdade, o bairro japonês.
Fachadas pintadas às riscas junto ao Mercado Municipal.
Mural numa zona empresarial da cidade
Mural na Vila Madalena
Mural Junto da estação da Luz


Sabe-se lá porque motivo, tenho uma verdadeira paixão por tudo quanto seja arte urbana. Adoro graffitis, murais e outras intervenções criativas que adornem a paisagem sem a perturbar. E se, até aqui, Nova Iorque, Berlim e a cidade onde vivo, Lisboa,  faziam parte do meu top no que refere a arte urbana, São Paulo passou a liderar as minhas preferências. E muitos dos murais que vi nem pude fotografar por passar por eles de carro. Mas deixo aqui uma boa amostra daquilo que fui vendo tanto no centro da cidade como num dos bairros um pouco mais afastados do centro, onde os artistas de rua são tratados com um enorme respeito: Vila Madalena. Neste bairro, encontrei um beco enorme, conhecido por "Beco do Batman", perto da Rua da Harmonia, onde passei quase mais de meia hora "babar" com tantas imagens, tão boas e variadas, apesar de o percurso ser relativamente curto. Mas estava chover neste dia, como.aliás, em quase todos os dias da minha estadia em São Paulo, e como já tinha visto a cidade toda, pude passear calmamente por esta rua e ruas adjacentes. A chuva jamais poderia estragar o privilegio que senti por encontrar este local. E com a vantagem acrescida de ser um passeio totalmente grátis.
A caminho do Beco do Batman, vi este mural com uma crítica às touradas.

A entrada para o Beco da Batman que, na verdade, corresponde à Rua Luís
Murat, uma viela onde todos os muros estão pintados e que ganhou fama
nos anos 80 quando ali foi desenhado um homem-morcego.
Muitas destas pinturas que foram feitas por estudantes de artes plásticas
brasileiros e também estrangeiros e artistas de renome,e têm servido de
fundo a produções de moda. 
Nas palavras da rádio britânica BBC, este local é um verdadeiro espectáculo
de "energia criativa". Não podia estar mais de acordo.
Existem regras próprias para quem quer pintar aqui. Para pintar por cima
de outro desenho, há que pedir autorização ao seu autor. É proibído "atropelar"
o trabalho dos outros sem o seu conhecimento.  Acima de tudo, respeito.
Apesar do que foi referido na legenda mais acima, os desenhos vão mudando
 regularmente. Ou seja, vale sempre a pena ir visitando este local porque
as cores e as formas vão ter sempre algo de novo para nos surpreender.

Legenda deste mural: "Não alimente os artistas".
O ambiente destas ruas transporta-nos para uma selva urbana
que estimulou a minha visão de uma forma que poucas vezes
tive a oportunidade de experimentar.
E deixo o meu desenho preferido para o fim. Um mural lindíssimo dedicado
 ao corredor de Fórmula 1 brasileiro Ayrton de Senna.


Centro histórico da cidade de São Paulo


A Catedral Metropolitana de São Paulo


O Marco Zero da cidade, um monumento
que representa o centro geográfico da cidade.

São Paulo pode não ser o supra-sumo da beleza. Mas que tem áreas bem interessantes para conhecer, lá isso tem. Já aqui referi o quanto gostei do Mercado Municipal da cidade cuja zona de restaurantes me deixou muita muita vontade de regressar Falta referir a Catedral Metropolitana, o Pátio do Colégio, a vista da cidade do topo do Edifício Altino Arantes, a Estação da Luz, a Avenida Paulista e o Parque Ibirapuera, deixando para outro post a vida nocturna e os grafittis da vila Madalena. Mas agora vou centrar-me na zona centro da cidade que pode ser vista em cerca de 3 horas e meia e cujo epicentro está localizado na Praça da Sé..É aqui que fica a Catedral da Sé, uma das maiores igrejas do mundo e que parece ser mais antiga do que na verdade é pois só começou ser a construída em 1912 no mesmo lugar onde outrora havia uma igreja Matriz


Foi a pedido de Portugal e da Companhia de Jesus que o padre Manuel
da Nóbrega e o noviço José de Anchieta, entre outros padres, criaram este
núcleo para a catequização dos indígenas
A esplanada do Páteo do Colégio tem muito boa pinta e sabe bem parar aqui
para tomar uma bebida fresca, embora os preços sejam um pouco elevados.



O Pátio do Colégio é considerado o berço de São Paulo.  A 25 de Janeiro de 1554 foi celebrada uma missa neste local pelos jesuítas Manuel da Nóbrega  (um português de 20 anos que dominava o tupi) e José de Anchieta (espanhol) para tornar oficial a abertura de um colégio jesuíta. Começou por ser uma cabana bastante básica mas, com o passar dos anos, foi sofrendo melhorias e ampliações até se tornar no edifício que podemos ver hoje. Em 1711 o rei D. João V classificou a vila de cidade mas mal podia imaginar que se São Paulo viria a ser a maior cidade da América Latina e a segunda maior do mundo. 
Além de continuar  a ser palco de celebrações religiosas, este antigo Colégio jesuíta é agora palco de diversas iniciativas culturais, possui um Museu de Arte Sacra e a Biblioteca Padre António Viera. especializada em História do Brasil. 
Perto do Pátio do Colégio fica este curioso placard iluminado que enumera segundo
a segundo todo o dinheiro em impostos que entra nos cofres do Estado em tempo
real. Muito curioso. Havia de ser bonito ter um em Portugal no actual contexto....
A rua 25 de Março onde se fazem compras low cost
No meio de prédios altísimos da zona financeira, uma tradicional
"Engraxataria".
O Banco do Brasil
Entrada do Edifício Altino Arantes . Tem 35 andares e o topo permite ter
uma vista panorâmica da selva de cimento que é esta grande metrópole



O Edifício Altino Arantes visto à distância

Bairro da Liberdade: o Japão cabe dentro de São Paulo.






Como é que São Paulo tem hoje a maior comunidade japonesa do mundo fora do Japão? É simples. Porque razão é que as pessoas decidem mudar de país? Para procurar uma vida melhor numa época em o Japão passou por tempos difíceis e havia quem passasse fome. Com o país do sol nascente a incentivar a emigração, cerca de 700 pessoas da região de Kobe partiram rumo ao Brasil, no início do século XX, para trabalhar nas plantações de café através de um acordo estabelecidos entre os dois países. As primeiras famílias instalaram-se no interior do estado de São Paulo. Atrás destes emigrantes vieram outros e, com o passar dos anos, alguns conseguiram comprar terrenos, outros abandonaram a actividade agrícola e mudaram-se para a cidade, quase todos para o mesmo bairro. Hoje em dia, existe cerca de 1.5 milhões de descendentes destes emigrantes a viver em São Paulo. É muito japonês junto. E se hoje estão perfeitamente adaptados, quando chegaram ao Brasil sofreram um choque cultural imenso devido às diferenças, climatéricas, culturais, aos hábitos alimentares e à forte segregação de que foram alvo. 




Vale a pena passar aqui umas duas horas para ver os apontamentos de inspiração japonesa, desde um grande portão (tori), a lanternas, candeeiros e até semáforos com iconografia deste país. Também é um bom local para comprar artesanato. No Shopping Trade Center, encontramos lojas de anime, de acessórios para telemóveis, de artesanato samurai, de peluches, de louças e artigos lacados e até roupa de lolita mas adaptada ao corpo brasileiro, ou seja, com mais espaço para a bunda!




Vai uma massagem?


Relógios de "marca"
Capas de telefone para todos os gostos

Outro aspecto curioso são as fachadas de alguns edifícios, como o banco Bradesco, que piscam o olho à população local. Foi aqui que terminei a visita ao Bairro da Liberdade, um bairro é engraçado que merece uma visita. Mas nada como visitar the real thing e ir ao Japão!