Eu quero uma sanita japonesa!!!

Os botões junto ao assento da sanita
Ainda andei o ver os preços das sanitas....
O asseio é sempre exemplar em qualquer
casa de banho pública
Botão de SOS para o caso de nos dar um treco enquanto estamos na sanita...



Uma das coisas de que sinto mais falta quando penso no Japão é das casas de banho. São estupidamente limpas e desinfectadas. Lembro-me como se fosse ontem do meu primeiro contacto com uma sanita japonesa, quando fiquei instalada no Hotel Keio Plaza em Outubro de 2006. Tive um ataque de riso quando comecei a carregar nos vários botões do tampo da sanita e descobri que tinham funções diversas como enviar esguichos de água direccionáveis. E mais, a temperatura dos esguichos podia ser controlada manualmente. Por fim, para terminar em beleza, descobri um outro botão que accionava um secador para que as nossas partes íntimas ficassem enxutas em poucos segundos. Achei de imediato que era uma ideia fantástica e só não trouxe um tampo de sanita comigo porque a voltagem no Japão é diferente da de cá. Entretanto, descobri que nas casas de banho públicas estas sanitas podem ter os assentos aquecidos, e nas paredes podem existir botões para que toque música e até botões que permitem simular o som das descargas de autoclismo para abafar eventuais sons que possam ser produzidos pelo nosso corpo. Quem é que nunca puxou o autoclismo para disfarçar o som de um xixi? Muito à frente estes japoneses!

Cães japoneses que vão ao SPA, fazem yoga e vestem alta costura.


Um cão vestido de samurai

Para muitos japoneses, um cão é o filho que não podem ter. Poodles, Chihuahuas e outras raças de tamanho miniatura fazem as delícias de muitos adultos que não podem ou não querem ter filhos. A coisa é de tal ordem que existem hoje mais animais de estimação no Japão do que crianças. E muitos destes cães são tratados como autênticos membros da realeza, com direito a uma divisão da casa só para eles, guarda-fatos repletos de roupa de designers, jóias, adereços, fraldário e carrinhos de passeio. E, claro, as marcas sabem tirar partido destas manias. Channel, Gucci, Dior e muitas outras marcas já fabricam roupa e adereços para cães a pensar no mercado japonês. Existem até SPA's para cães e aulas de yoga que podem frequentar sozinhos ou com os donos.



Porque motivo fazem tanto sucesso os cães mais pequenitos? Porque as casas dos japoneses também são mínimas. Em média, uma família de quatro pessoas vive num espaço de 50 metros quadrados. E a recessão económica tem feito com que muitos jovens não tenham condições para casar pelo que vivem em casa dos pais até aos 35 anos. Se juntarmos a isto o facto de uma mulher com filhos no Japão ser desvalorizada do ponto de vista profissional  e do ponto de vista sexual (muitos casamentos são arranjados e o sexo só existe mesmo para procriar), temos as condições ideais para que cães e gatos tenham um estatuto de vedeta no seio familiar. E todas as indústrias que se alimentam desta mania-  alimentação, moda, ourivesaria, cosmética e até agências funerárias - só podem estar muito agradecidas. Em paralelo, a venda de contraceptivos tem vindo a descer de ano para ano.

Um cão vestido de marinheiro. 



Nagamachi: O bairro dos samurais da cidade de Kanazawa





O bairro está repleto de lojas de artigos artesanais como esta confeitaria.








Só dormi uma noite em Kanazawa, pelo que tive de escolher entre ir ver a Casa Shima, a casa de uma gueixa no bairro de Higashi Chaya, hoje transformada num Museu com o tema das gueixas e com uma casa de chá famosa, ou então um bairro de samurais. Como já tinha andado a passear na zona das gueixas, escolhi a segunda opção e fui ver o bairro de Nagamachi, mais afastado do centro da cidade. Preço de entrada, uma vez mais, apenas 500 yenes. 



A família tinha um pintor profissinal só para ela que foi quem
 pintou as portas interiores da casa

Nagamachi era o bairro onde viviam os samurais que protegiam o castelo de Kanazawa com as suas famílias. Viviam em casas grandes com entradas privadas, contornadas por canais de rega e com jardins maravilhosos. Uma das principais atracções deste bairro é precisamente a Nomura-Ke, a casa de um samurai abastado onde podemos ver como era o seu estilo de vida, incluindo vestimentas e objectos utilizados no dia a dia. Quando se inicia o período Meiji (1868-1912), o periodo feudal no Japão chega ao fim dos seus dias e os samurais desaparecem.



Sabe bem sentar no alpendre a beber um chá e a ouvir a água das fontes e
os pássaros que escolhem estes jardins como casa.
O altar 
Uma senhora a preparar masha (chá verde)

Espadas de samurai
Armário de gavetas

Kenroku-en, um dos três jardins mais famosos do Japão.

Lago Kasumi
O jardim Kenroku-en ("Jardim das Seis qualidades") foi criado no séc. XVII
 pelo clã Maeda e abriu ao público em 1871. Contém cerca de 12 mil árvores
e vários lagos.





Vista panorâmica da cidade de Kanazawa
Os pinheiros são cuidados com paciência
de japonês, agulha a agulha. 

Ainda não vi o Japão na Primavera, com as sakuras repletas de flores. Mas aposto que o Outono não lhe fica atrás. Os tons amarelos, laranja e vermelhos criam degradés de folhagem absolutamente deslumbrantes. E nada melhor do que um passeio num jardim para nos maravilharmos com este espectáculo gratuito da Natureza. Bem, neste caso, tive de pagar bilhete para entrar no jardim, mas o valor é quase simbólico, cerca de 3 euros. E depois de ver a quantidade de jardineiros que nele trabalham, dá para perceber para onde vai o dinheiro. E é giro ver os japoneses a preparar os tripés e as lentes para fotografar uma flor ou uma simples folha. Deve ser bom ser jardineiro no Japão. 



Também há Lolitas em Kanazawa
Estátua de Yamato Takeru, um príncipe
da dinastia Yamata
Casa de chá Shigure-tei (1725)


O Castelo de Kanazawa





O castelo de Kanazawa é uma das visitas obrigatórias nesta cidade. Trata-se de um dos maiores castelos feudais do Japão. Na verdade, como acontece com quase todos os templos e castelos japoneses, trata-se de uma reconstrução porque o castelo original foi quase todo destruído por vários incêndios. No Japão isto era normal. Terramotos e incêndios provocados por terramotos deram cabo de quase todos os monumentos. Em Kanazawa, resistiram apenas intactos os edifícios onde se armazenavam armas e um dos portões do castelo. Mas as sucessivas  reconstruções, que custam fortunas, permitem ver como era este castelo que este sob o domínio da família Kaga (juro que é verdade, não me enganei no nome)...



Tive a sorte de visitar este castelo com um guia local que estava à entrada do castelo à espera de turistas, como nós. Um voluntário com cerca de 65 anos que, além de nos contar coisas bastantes curiosas sobre o local, foi bombardeado com as perguntas de três portugueses e uma neozelandesa. Não podíamos deixar escapar a oportunidade de esclarecer um monte de dúvidas que nos estavam a matutar na cabeça. Afinal, encontrar um japonês que se expresse bem em inglês é uma raridade. Foi pois interessante, embora algo deprimente, saber que o ordenado médio de um estagiário no Japão ronda os 2 mil euros ... Fiquei também a saber que os japoneses aprendem inglês na escola, mas como não têm muitas oportunidades para praticar, a maior parte acaba por se esquecer do que aprendeu. E dá para sentir. Mas nesta viagem, aprendi montes de palavras novas. Junte-se-lhe a boa vontade e delicadeza dos japoneses, e acho que me atrevia a ir para locais sem turismo. Os marroquinos têm tanto a aprender com este povo. Quando o nosso passeio acabou, quisemos oferecer uma gratificação ao guia mas ele recusou com grande determinação. Nem deu hipótese. Se estivéssemos em Marrocos, um guia não só nos iria exigir um preço por ele estabelecido no final do passeio, como sairiam logo mais trinta marroquinos debaixo das pedras. E todos de mão estendida.

Kanazawa (Japão) by night





Se havia coisa que o M. queria fazer em Kanazawa, era visitar uma loja de shamisen com mais de 120 anos. A ideia parecia interessante e acabou por se revelar numa experiência giríssima com direito a vídeos no facebook para os amigos verem as nossas figuras tristes a fingir que tocávamos. Já estava a anoitecer quando chegámos à loja, no bairro de Higashi Chaya, mesmo em frente a um daqueles cafés onde se paga para ter um gatinho um colo, os Neko No Mise. Quando lá chegámos, a loja estava fechada. Ora bolas! Mas como bons tugas que somos, tocámos à porta e dissemos com ar de Calimero que tínhamos vindos de propósito de Portugal até o Japão para ver aquela loja... Foi feio, eu sei. Mas não era de todo mentira e a verdade é que este argumento abriu-nos as portas para uma visita privada a um autêntico Templo de Shamisens. Estivemos cerca de meia hora na loja e o M. ainda pensou na hipótese de comprar um destes instrumentos mas desistiu logo quando soube que o mais barato de todos custava...quinhentos euros. Upa, upa. Vimos a loja fora de horas e já foi muito bom, até porque fazer um japonês quebrar regras, e abrir portas depois do fecho de uma loja, é um feito digno de registo.

O bairro de Higashi Chaya está repleto de casas de chá
e restaurantes , alguns deles frequentados por gueishas.
A palavra Chaya significa chá.
Entrada de um restaurante
O meu jantar, um peixe parecido com a sardinha, mas maior.
Se há coisa que adoro no Japão é a iluminação dos espaços,
sempre morna e acolhedora.