Sábado em Banguecoque é sinónimo de mercados flutuantes. E eu que pensava que havia apenas um, só quando comecei a fazer o TPC da viagem é que tive noção de que existem imensos mercados flutuantes! O maior e mais famoso de todos, o Damnoen Saduak, acaba também por ser o mais turístico. Fica a a quase duas horas de autocarro da cidade,ou seja, só em viagens é muito fácil perder quatro horas, o que me desmotivou por completo. Sabendo que existiam outros mercados mais próximos e mais autênticos, optei por ir a Taling Chan que tem um mercado em terra junto a um canal e permite fazer passeios de barco ao longo dos quais podemos ver pequenos barcos de vendedores. Mas do que gostei mesmo foi do mercado de pronto-a-comer junto ao cais, em terra. De toda a comida de rua que vi, e vi muita (Banguecoque é um autêntico mercado ao ar livre) este foi o único local onde tive coragem de comer. Tinha tudo muito bom aspecto e um ar asseado que o inspector da ASAE que há dentro de mim aprovou facilmente. Provei várias coisas que até então desconhecia. Se há coisa que me fascina quando vou a outros países, sobretudo em destinos com culturas tão diferentes, são os hábitos alimentares. Como adoro comer e também gosto de cozinhar, fico sempre maravilhada com a culinária asiática que usa e abusa de vegetais, ervas e frutas exóticas para criar pratos coloridos que, de um modo geral, agradam ao palato. E aqui, os euros rendem de tal forma que nos podemos dar ao luxo de provar tudo o que nos apetece.
Blog com relatos, dicas e pensamentos para quem também foi mordido pelo bichinho das viagens.
Visita ao mercado flutuante Taling Chan (Banguecoque)
Quem disse que Bangkok é a Veneza do Leste?
Chovia a potes quando fui fazer este passeio pelos canais de Bangkok (khlongs), mas foi melhor do que estar parada em parte incerta a aguardar que a chuva parasse. Não me lembro onde foi que apanhei o barco, mas lembro-me que há vários locais junto à zona antiga da cidade de onde partem barcos para fazer estes passeios. Depois de alguns minutos a baixar o preço de 900 baths para 500 bath (uma hora de passeio), lá entrei na embarcação. Vi muitas casas em palafitas e percebi como vive uma boa parte da população nesta cidade onde existem milhentos canais.
| Os barcos andam devagar para não perturbar os habitantes |
O que me impressionou mais por aperceber-me de como a água está imunda. Não chega a cheirar mal, mas deve andar lá perto porque há de tudo a boiar e em certos locais criam-se verdadeiras ilhas de lixo. Mas abstraindo-me disto, gostei de passar por várias pontes e templos e de ver como as pessoas arranjam as casas (conseguimos olhar para dentro de muitas delas), como quase todas penduram a roupa toda no exterior, como fazem do quintal a sua cozinha, como arranjam os altares no meio do quintal e, o melhor de tudo, adorei ver os lagartões king size que nadam nos canais. Alguns são enormes e nem quero imaginar como será ter um bichano destes a entrar pela casa dentro à procura de comida....
| Para saber a história dos canais de Bangkok, recomendo esta página da BBC |
| A chuva não afugenta os vendedores |
| Algumas casas parece que vão desabar a qualquer momento |
| Reparem bem no tamanho do lagarto, quase dois metros de comprimento... |
E agora gostava de saber por que motivo chamam a Bangkok a Veneza asiática... Parece que a origem desta designação remonta ao séc. XIX quando havia mais canais do que aqueles que existem hoje em dia e talvez nessa altura as casas estivessem em melhor estado e água do rio mais limpa, não sei. É que em termos de beleza, Veneza é insuperável, embora no Verão os canais cheirem frequentemente a esgoto e haja mosquitos por todo o lado. Mas não há sequer comparação. Ainda assim, acho que este passeio é interessante mas não se tiverem tempo para o fazer, não perdem grande coisa. Ainda fiz outro passeio pelos canais de Bangkok noutra quase nos limites da cidade, mas com o intuito de ir espreitar um mercado à beira de um cais e um mercado flutuante pouco turístico. E esse sim, valeu muito a pena!
Como quase fui enganada no primeiro dia em Bangkok...
| Parece um carrossel infantil mas são estátuas numa rotunda |
| O Palácio Real começou a ser construído em 1782 e foi, durante 150 anos, a residência oficial da família real da Tailândia |
Primeira manhã em Bangkok. Depois de tomar o pequeno-almoço, rodámos os calcanhares e lá fomos a pé para o Palácio Real, numa caminhada de cerca de 20 minutos ao longo da qual atravessámos inúmeros templos. Já perto do Palácio Real, depois de passar a rotunda dos elefantes fofinhos (ver foto acima), começámos a ser abordados por condutores de tuk tuks e "supostos" guias turísticos que nos diziam que o Palácio Real estava fechado naquele dia devido a um evento qualquer e, como tal, seria melhor ir visitar outras atracções. É claro que todas estas pessoas se ofereciam para nos levar a estes locais, passando primeiro numas quantas lojas de artesanato e pedras semi-preciosas....pois sim.. Não sabia se havia de acreditar neles mas, como sou desconfiada por natureza (às vezes dá um jeito do caraças) e estava a poucos minutos do palácio, decidi ir lá confirmar e, surpresa das surpresas, estava aberto! Mais tarde, descobri na net este link fantástico sobre os 10 truques mais usados para enganar turistas em Bangkok. E qual é o primeiro de todos? "O Palácio Real hoje está fechado!"
| O Palácio Real abre às 8h00 e encerra às 15h30. |
Depois de pagar 500 bath pelo bilhete de entrada no recinto do Palácio Real, passámos o resto da manhã a explorar os muitos edifícios que compõem esta imensa atracção, a mais visitada em toda a cidade. Já tinha sido avisada por amigos que aqui estiveram e por tal vim vestida de forma decente (não deixam entrar pessoas com ombros, pernas ou pés à mostra). Mas os mais distraídos podem ser encaminhados para uma sala, antes de entrar, onde lhes emprestam túnicas para se cobrirem.
| Foi disto que mais gostei, dos mosaicos ornamentais. Lindos! |
Passei muito tempo a observar a misturada de pessoas (turistas, tailandeses, seguranças do espaço e monges budistas) e a fotografar detalhes como pequenas estátuas, mosaicos, janelas, plantas, e não dei pelo tempo passar. Mas voaram quase 3 horas entre a entrada e a saída no palácio. Não vi o Buda Esmeralda, uma das atracções do palácio, talvez a principal, porque a sala estava a ser usada para uma cerimónia.
Depois de visitar o Palácio e de almoçar por ali perto num restaurante muito agradável, com ar condicionado e de onde não apetecia sair, fomos fazer um passeio de barco pelos canais da cidade. Qualquer semelhança com Veneza é pura coincidência...
Loy Krathong: um dos principais festivais da Tailândia.
| Balsas com forma de tartarugas, feitas com pão |
| Grupo de amigos a fazer balsas com folhas e flores |
Quando decidi que ia comprar bilhete para Bangkok, antes de marcar os voos fui pesquisar na net os festivais a decorrer em Bangkok durante o mês de Novembro. Há tantos festivais na Tailândia ao longo do ano que a probabilidade de apanhar um era enorme. Foi assim que fiquei a saber que o Loy Krathong iria acontecer na noite de 5 para 6 de Novembro. E pimbas, marquei estrategicamente a viagem para dia 4, com chegada a 5 na hora de almoço. Depois de me instalar no Dang Derm Hotel e de almoçar lá ao lado (3 pessoas por 100 bath), fomos logo para a beira rio onde têm lugar os preparativos desta festa. E lá estavam as pessoas nos vários jardins da cidade a moldar pequenas balsas feitas com folhas, flores, massa de pão, incenso e velas para, mais tarde, a partir do anoitecer, colocar no rio em homenagem à Deusa da Água. Trata-se de um festival sem data fixa, celebrado em noite de lua cheia, no final da estação das chuvas que coincide com o final da época das colheitas de arroz. Ou seja, a tradição de colocar estas balsas" nas águas do rio e dos canais (klongs) é um gesto de agradecimento pela abundância das colheitas e, ao mesmo tempo, um pedido de desculpa pela poluição da água. Depois de colocadas na água por profissionais devidamente equipados com varas longas, se as velas ficarem acesas até a balsa desaparecer de vista, é sinal de um ano de boa sorte. A minha apagou.se logo, estou tramada...
| As crianças que actuam nos palcos usam tanta maquilhagem que parecem bonecas de cera. |
Nos jardins, havia palcos montados onde decorriam espectáculos de dança e música e pessoas a vender bebidas, snacks e comida. Foi interessante chegar à cidade e apanhar logo esta festa familiar tão colorida onde também podemos ver muitos estrangeiros a participar, comprando e colocando oferendas no mar. Até eu coloquei um entre os muitos que já lá andavam. Aliás, não fiz mais nada nesta tarde e noite se não andar a cirandar pelos jardins e a observar as tradições deste evento. Pelo meio, ainda me deitei na relva e fui dormitando, porque o jet lag não perdoa e o primeiro dia depois de uma viagem tão longa (sete horas de voo entre Lisboa e Dubai, duas de espera e mais cinco horas e meia até Bangkok) é algo violento.
| A decoração das balsas varia muito, algumas têm formas de animais, outras usam e abusam de flores. |
| Um dos "técnicos" especialista em colocar balsas na água |
| O Chao Phraya cheio de balsas. De noite, fica repleto de pontinhos luminosos. |
| Linda esta balsa feita com cones de gelados. Adorei. |
| Depois das 21h30, começa um desfile de barcos alegóricos. E à meia-noite há fogo de artifício, mas a essa hora já estava ferrada a dormir. |
O Loy Krathong é celebrado em toda a Tailândia mas é em Chiang Mai, no norte do país, que se festeja com todo o seu esplendor. Aqui, o festival atrai milhares de pessoas para festas privadas cujos bilhetes custam verdadeiras fortunas e as pessoas assistem a cerimónias religiosas repletas de rituais ancestrais, incluindo o lançamento de lanternas para o céu aos milhares. Deve ser tão mas tão lindo! Durante esta viagem, mas já em Krabi, conhecemos um casal brasileiro que estava em Chiang Mai na altura do festival e comprou acessos no mercado negro a uma destas festas, fazendo a saudável loucura de pagar por cada bilhete mais de 300 dólares. O que eu sei é que os olhos deles até brilhavam a contarem-nos tudo sobre esta experiência memorável.
Onde ficar alojado em Bangkok?
Vou finalmente contar a minha viagem à Tailândia e ao Cambodja, totalmente organizada por mim. Cada vez gosto mais da agência de viagens "Eu Mesma". É que empenho-me de tal forma a pesquisar informação, devorando blogs de viagens e melgando pessoas que já passaram nos locais que quero visitar, que depois consigo planear na perfeição o tempo certo para estar em cada local. Por vezes, lá me arrependo de um hotel ou outro, mas no geral, a coisa corre bem. Vou então relatar esta viagem de duas semanas com o máximo de detalhe possível, incluindo dicas para evitar cair em esquemas para turista, valores gastos em voos, hotéis, passeios, alimentação e compras, dicas para regatear preços de excursões, para lidar com a mosquitada e, claro, pelo meio vou contar muitas histórias engraçadas e curiosidades sem esquecer também o que detestei na Tailândia. Sim, porque nem tudo foi perfeito. Aproveitei uma campanha promocional online de voos da Emirates Airlines para comprar, com 6 meses de antecedência, o voo Lisboa/Bangkok/Lisboa por 590 euros, um preço aceitável já que nunca vi este trajecto a menos de 500 euros. Logo de seguida, comprei online no site da Rumbo as ligações Bangkok/ Siem Reap/Bangkok (Air Asia: 100 euros) e Bangkok/ Krabi/Bangkok (Air Asia: 70 euros). E depois comecei a pesquisar hotéis na cidade. O preço do taxi entre o aeroporto internacional de Bangkok e o hotel ficou em 500 bath (o normal são 400 bath mas não nos apeteceu discutir logo à chegada).
| A Khao San tem muitas lojas, restaurantes e agências de viagens para turistas "mochileiros". Apesar de ter alguns hotéis de 3 estrelas, o forte são os hotéis baratos. |
Eu morria se não fosse para um hotel da Khao San Road, mesmo depois de ter lido em muitos blogs que era uma rua muito turística, barulhenta e algo caótica. Mas enfim, como sabia que no final da viagem poderia ir dormir noutro bairro, queria mesmo sentir o pulso a esta rua tão famosa, em pleno bairro de Banglamphu e com uma localização excelente para explorar a zona antiga da cidade. Para o final da viagem, optei pela zona moderna, a Sukhumvit Road, e o contraste não poderia ter sido maior.
| A Khao San Road está entupida de tuk tuks. |
Depois de ler muitos comentários a hotéis no Tripadvisor, onde também costumo relatar as minhas experiências, optei por reservar quarto no Dang Derm Hotel via Booking.com, escrevendo uma nota a pedir um quarto isolado da rua, para evitar o ruído que se prolonga noite fora e que dá origem a algumas queixas no Tripadvisor. Foi o melhor que fiz, porque consegui dormir sem problemas. Escolhi este hotel pela localização (pertinho do Grand Palace), pelos bons comentários ao pequeno-almoço (café da manhã) e pela piscina panorâmica. Mas lá está, nunca tive tempo de tomar banho, logo podia ter poupado na estadia indo para um hotel sem piscina. Paguei 27 euros por noite por um quarto de casal bonito e espaçoso, com casa de banho privada e pequeno-almoço incluído. Mas assim que punha um pé na rua, era abordada por 37 pessoas a perguntarem se queria comprar roupa, CD's, malas de viagens, selfie sticks, postais, roupa, excursões, passeios de tuk tuk, massagens, snacks, refeições.... Enfim, não me imagino a passar muitos dias neste caos de vendedores ambulantes, condutores de tuk tuks e turistas alcoolizados. Mas para duas noites apenas até foi divertido.
Em Bangkok é perfeitamente possível dormir em locais decentes por menos 15 euros a noite. Se lá voltasse, preferia ficar dois quarteirões ao lado, a menos de 10 minutos a pé, na pacata Rambuttri road, uma rua pedonal comprida e animada, sem ruído de carros, tuks tuks e música estridente, e com muitos restaurantes, bares e casas de massagens, tudo com decorações bonitas e um ar bem acolhedor. Assim, poderia tomar "banhos de multidão" e "gente louca" logo ali ao lado, e depois descansar num lugar mais tranquilo. Para a próxima, já sei. Rambuttri Road, sem qualquer hesitação.
| A última noite em Bangkok foi passada no hotel Retro 39 |
O Hotel Retro 39 fica numa zona totalmente distinta de Bangkok que, por vezes, faz lembrar Tóquio ou Singapura. Um contraste tremendo com a zona antiga. É uma zona de arquitectura moderna e prédios altos, servida por um comboio de superfície, com écrans gigantes nas ruas a passar publicidade e muitos centros comerciais grandões. Não fazia ideia, mas este hotel ficava em pleno bairro japonês, rodeado de lojas de artesanato nipónico, casas de Karaoke, escolas de artes marciais e restaurantes de sushi. Foi uma boa surpresa porque, quem me conhece, sabe que sou louca de paixão pelo Japão.
| Um budista a aguardar pelo sky train. Adoro estes contrates. |
| O "sky train"da zona moderna. |
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