Banguecoque by night

À esquerda, o viaduto onde passa o Skytrain que atravessa
a zona moderna da cidade. Preço do bilhete: 40 bath com
direito a ar condicionado. 



Ir a Banguecoque e não ir espreitar a "movida" tailandesa seria imperdoável. Por isso mesmo, decidi ficar as últimas noites da viagem na parte da moderna da capital, na Sukhumvit Road com a rua 39, e esta parte da cidade foi uma surpresa para mim. Sabia que era moderna, mas não julguei que fosse tão para à frentex. Tem zonas de comércio com shoppings gigantescos com muito bom ar (só entrei num, o Emporium Shopping), imensos prédios altos, quase todos de escritórios, hotéis de luxo, muitos néon e até é atravessada por um monorail que serpenteia avenidas com écrans gigantes ao melhor estilo de Shinjuku, em Tóquio. É por aqui perto que ficam as famosas zonas vernelhas da cidade, que se resumem a três ruas distintas: Nana Plaza, Soi Comboy e Patpong. É claro que a minha atracção pelo abismo empurrou-me até uma destas zonas, Patpong. Mas devo dizer que fiquei com "mixed feelings" pois se, por um lado, queria muito passar à porta dos famosos bares de meninos e meninas por outro lado, depois de lá estar, achei triste e decadente haver tanta gente a ter de ganhar a vida assim. Não vi crianças, felizmente, nem ali nem nas ruas por onde andei durante toda a estadia, mas percebe-se que há imenso turismo sexual e o assédio para nos fazer entrar nos bares é tremendo.

As famosas imitações de malas Louis Vuitton
Alguns bares têm as portas abertas e dá para olhar lá para
dentro e ver as meninas a dançar no varão. 
O mais famoso show de variedades da cidade. Pedem 500
bath para ir ver  mas o valor cai facilmente para os 300.


Patpong acaba por ser uma das zonas mais populares devido ao mercado nocturno que fica coladinho às casas de "diversão". Mas os artigos são todos muito mais caros aqui do que nos outros mercados da cidade.
Imitações perfeitas de ténis Nike

Seda dizem eles. Será?

T shirts para gays


Tatuagens falsas, feitas de seda. São como luvas e parecem
tão reais quando colocadas no braço! Devia ter trazido uma...
Para mim, o melhor da noite de Bangkok, além das massagens que são sempre maravilhosas e estupidamente baratas (8 euros ou mesno por uma hora de bem bom), foi ter ido ver um espectáculo de música tradicional a um bar afastado do centro onde não havia mais nenhuns turistas e ter ido ao famoso sky bar onde foram filmadas algumas cenas de um dos filmes mais divertidos que já vi até hoje: A Ressaca II. A subida ao bar é gratuíta e a vista da cidade à noite é magnífica. O bar chama-se Sirocco e fui lá de dia e de noite só para ver as vistas. De dia, o bar está fechado, só abre às 17h,  e de noite está apinhado de estrangeiros endinheirados. As bebidas são caras, no minimo custam cerca de 10 euros. Mas a vista, essa é grátis.




Perspectiva diurna do sky bar Sirocco
O sky bar fica no piso 63 desta torre 

8 coisas sobre a Tailândia que gostava de ter sabido antes de lá ir


Aqui vai uma listinha de coisas importantes a saber antes de atravessar meio mundo para ir conhecer a Tailândia. Apesar de ter falado com imensa gente que já lá foi e de ter lido toneladas de blogues e revistas, a maior partes destas coisas foi novidade para mim e não houve nenhuma alma caridosa que me alertasse para quase todas elas. Aqui vão algumas dicas sobre cuidados básicos de saúde, de poupança e de segurança.

1- SAÚDE
A primeira coisa que me ocorre quando penso nestas duas palavras juntas, Tailândia e saúde, é a malária. Dizem que só há malária na zona norte da Tailândia e que o centro e o sul são locais tranquilos. Como sou desconfiada e sei que os interesses turísticos têm muita força (sabiam que existe malária na Grécia Continental? E que nos anos 60/70 havia malária na Sardenha e até mesmo em Portugal, na zona de Setúbal...ah pois é..), optei por tomar banhos matinais e nocturnos de repelente. Ora os repelentes que se vendem em Portugal são refresco para os mosquitos da Tailândia, daí que vale muito mais a pena, além de ser estupidamente mais barato, comprar repelente bem mais potente na Tailândia. Supostamente, o mais eficaz de todos tem aroma a citronela, mas na verdade cheira a pesticida... Mas antes isto do que andar cheia de mordidelas, porque há mesmo muitos mosquitos, principalmente nas ilhas.

As lojas de cosmética natural são uma perdição e vendem
 frascos grandes de repelente a 100 bath apenas. É quase dado.

2- EXCUSE ME????
Enquanto noutros países, até mesmo no Japão, tive a sorte de conhecer algumas pessoas que falavam inglês e que pude fuzilar com perguntas, na Tailândia não consegui falar quase nada. Até mesmo o pessoal que trabalha na área do turismo, fala mal e porcamente... Se perguntamos algo fora do guião que decoraram para vomitar no dia a dia, é vê-los com um ar aflito sem saber o que dizer. Ora isto dificulta, e  muito, a negociação de preços de passeios de tuk tuk, excursões, compras, etc. Pior, não nos permite esclarecer coisas que nos vão intrigando ao longo da viagem.

3- LEVANTAR COM AS GALINHAS
Os passeios turísticos começam todos incrivelmente cedo... Mas como a alternativa é ir por nossa conta e fica bem mais caro ( a não ser que tenhamos a fézada de conhecer alguém que quer ir para o mesmo lugar e não se importa de alugar carro ou barco só para nós, que é o ideal, e aí fazemos o horário a nosso gosto), lá temos que nos levantar bem cedo para nos irem apanhar às 8 da manhã, já de pequeno-almoço tomado. Resultado, se fizermos muito passeios, e eu fiz, arriscamo-nos a precisar de mais férias, para descansar das férias.. Ainda assim, prefiro mil vezes férias sempre a bombar do que ir uma semana para a República Dominicana de pulseirinha no pulso e não sair do resort.... Enfim, gostos.

4- PODE FALAR MAIS BAIXO, POR FAVOR?
Alguns guias com quem fiz passeios eram completamente histéricos! Não falavam, gritavam. Não pediam, davam ordens. Não explicavam, alertavam. De mefagone em riste e tudo, surreal... E ainda nos colam um autocolante ao peito para "marcar" o seu grupo de turistas...Sentimo-nos parte da carneirada e só falta mesmo o chicote. É enervante, mas tenho de admitir que uma das coisas que mais nos gritavam era de facto importante. Quando chegamos a uma praia de barco, devemos decorar o numero da nossa embarcação. É que de repente, chegam mais 30 barcos iguais e é uma aventura conseguir identificar o nosso.

Chegada à Bambu island. Passada meia hora,quase  não
se via a água nesta parte da ilha de tantos barcos que tinha

5- SE NÃO PODES COM ELES, JUNTA-TE A ELES.
Se não fossem as portuguesas que conheci em Banguecoque a dar a dica, teria gasto muito mais dinheiro em passeios. O valor  das excursões pode, e deve ser negociado. No meu caso, éramos quase sempre cinco pessoas a marcar passeios . Depois de fazer uma ronda por várias agências de viagens (e há muitas!) e de ver o preço médio dos passeios, calhou em conversa com o dono do hotel onde fiquei referir o valor que iria pagar e, eis que ele se chega à frente e diz que faz por menos. Ficámos de pensar no assunto. Quando fomos jantar, parámos em mais uma agência mas dissemos que já tínhamos um preço bom e, tcharan, baixaram também mais um pouco. a partir daqui, foi sempre a fazer bluff De um modo geral, consegue-se que cobrem por cada adulto o valor que pedem por uma criança, ou ainda menos. O facto de ter ido em época média  - Novembro - ajudou. De Dezembro a Abril é mais difícil aplicar esta táctica. Num dos passeios que fiz, calhou em conversa vários turistas comentarem quanto tinham pago por aquele passeio. Eu paguei em média 600 bath por cada passeio + almoço + taxa de entrada nos parques naturais, uma indígena tailandesa que falava bom inglês pagou 500 mas havia quem tivesse pago pelo mesmo passeio  1000 bath.... Taditos, ficaram com uma cara quando viram como foram enganados...

6 - "DESLARGUEM-ME" POR FAVOR!
O assédio nas praias é quase uma constante. Ele é vendedores de souvenirs, de comidas, de bebidas e, claro, imenso pessoal a querer fazer massagens. Acho mesmo que há mais casas de massagens do que restaurantes, sobretudo em zonas de praia.  Se quisermos paz e descanso, temos de fingir que estas pessoas são invisíveis, o que de início me parecia falta de educação, mas depois, teve que ser a bem da minha saúde mental, ou não fazia outra coisa senão dizer "Agora não...".


Quem está nas cadeiras ainda é mais assediado pelos
vendedores e massagistas ambulantes.

7 - PAGA QUE É TURISTA
Nas zonas de praia, as deslocações de tuk tuk são muito caras, se tivermos em conta que cobram o mesmo que os táxis pelas deslocações. Os condutores não se mexem por menos de 200 bath, e isto para fazer viagens curtas. De Krabi ao aeroporto (18 km) pedem entre 500 e 600 bath. Apetece dizer-lhes "Vão roubar para a vossa terra". Mas já lá estão. E claro, tudo o que sejam compras - artesanato, roupa, gadgets, etc - custa mais 30 a 40% em Krabi do que custa em Banguecoque. Já depois de regatear. E como é tudo igual, mais vale deixar as compras para o fim, caso o regresso seja via Bangecoque. Com a cerveja, também somos roubados à força toda. O valor de uma garrafa chega a custar o triplo do valor da refeição... Upa upa...


O passeio com jantar ao pôr do sol. Foi depois de jantar
aqui que tive umas das experiências mais incríveis da
minha vida que espero um dia poder repetir.


8-  RAILAY BEACH
Aparentemente, a Tailândia é um país pacífico e os turistas podem movimentar-se com segurança pelo país. Por isso mesmo, eu a S., depois de vivermos uma das experiências mais incríveis das nossas vidas durante um passeio de barco nocturno onde pudemos nadar com plâncton luminescente (sim, tal e qual como acontece no filme "A Praia"), quisemos mais. Mas não havia ninguém a fazer esse passeio apenas. Ou repetíamos o tour "Sunset + Mosquito island" de 6 horas que já tínhamos feito (começou às 16h) ou arranjávamos alguém para nos levar a Railay beach, a 10 minutos de Ao Nang, onde passámos uma semana. Mas nada, ninguém sabia de quem nos poderia levar de noite a Railay, a não ser algum pescador bem disposto. Estivemos quase quase a ir com um, mas depois ouvimos umas histórias medonhas de turistas violadas, histórias essas confirmadas na net, e esquecemos logo a ideia.  Mas se alguém me tivesse dito que ficando alojada em Railay, uma zona com acesso só por mar, poderia nadar todas as noites na ponta da praia com plâncton luminescente, tinha lá ido seguramente. Pena não dar para fotografar. Mas imaginem-se rodeados por um contorno luminoso e pontinhos de luz dentro de água e quanto mais se mexem, mas brilhantes ficam as luzes. É in-crí-vel! E a Tailândia é um dos melhores países do mundo para ter esta experiência. Foi uma grande surpresa. O melhor momento da viagem.


Visita ao mercado flutuante Taling Chan (Banguecoque)









Sábado em Banguecoque é sinónimo de mercados flutuantes. E eu que pensava que havia apenas um, só quando comecei a fazer o TPC da viagem é que tive noção de que existem imensos mercados flutuantes! O maior e mais famoso de todos, o Damnoen Saduak, acaba também por ser o mais turístico. Fica a a quase duas horas de autocarro da cidade,ou seja, só em viagens é muito fácil perder quatro horas, o que me desmotivou por completo. Sabendo que existiam outros mercados mais próximos e mais autênticos, optei por ir a Taling Chan que tem um mercado em terra junto a um canal e permite fazer passeios de barco ao longo dos quais podemos ver pequenos barcos de vendedores. Mas do que gostei mesmo foi do mercado de pronto-a-comer junto ao cais, em terra. De toda a comida de rua que vi, e vi muita (Banguecoque é um autêntico mercado ao ar livre) este foi o único local onde tive coragem de comer. Tinha tudo muito bom aspecto e um ar asseado que o inspector da ASAE que há dentro de mim aprovou facilmente. Provei várias coisas que até então desconhecia. Se há coisa que me fascina quando vou a outros países, sobretudo em destinos com culturas tão diferentes, são os hábitos alimentares. Como adoro comer e também gosto de cozinhar, fico sempre maravilhada com a culinária asiática que usa e abusa de vegetais, ervas e frutas exóticas para criar pratos coloridos que, de um modo geral, agradam ao palato. E aqui, os euros rendem de tal forma que nos podemos dar ao luxo de provar tudo o que nos apetece.










Depois deste curto rally culinário, seguiu-se mais um um passeio pelo canais, desta vez com sol e, antes de ir embora, apanhei uma festa tradicional com um dragão chinês, danças e cantorias tradicionais. Adoro estes imprevistos e só não fiquei mais tempo por aqui porque ainda queria ir visitar outro mercado durante a tarde, o melhor de todos dos que vi na Tailândia, o imperdível Mercado Chatuchak.




Quem disse que Bangkok é a Veneza do Leste?



 Chovia a potes quando fui fazer este passeio pelos canais de Bangkok (khlongs), mas foi melhor do que estar parada em parte incerta a aguardar que a chuva parasse. Não me lembro onde foi que apanhei o barco, mas lembro-me que há vários locais junto à zona antiga da cidade de onde partem barcos para fazer estes passeios. Depois de alguns minutos a baixar o preço de 900 baths para 500 bath (uma hora de passeio), lá entrei na embarcação. Vi muitas casas em palafitas e percebi como vive uma boa parte da população nesta cidade onde existem milhentos canais.

Os barcos andam devagar para não perturbar os habitantes


O que me impressionou mais por aperceber-me de como a água está imunda. Não chega a cheirar mal, mas deve andar lá perto porque há de tudo a boiar e em certos locais criam-se verdadeiras ilhas de lixo. Mas abstraindo-me disto, gostei de passar por várias pontes e templos e de ver como as pessoas arranjam as casas (conseguimos olhar para dentro de muitas delas), como quase todas penduram a roupa toda no exterior, como fazem do quintal a sua cozinha, como arranjam os altares no meio do quintal e, o melhor de tudo, adorei ver os lagartões king size que nadam nos canais. Alguns são enormes e nem quero imaginar como será ter um bichano destes a entrar pela casa dentro à procura de comida....
Para saber a história dos canais de Bangkok, recomendo esta página da BBC
A chuva não afugenta os vendedores
Algumas casas parece que vão desabar a qualquer momento
Reparem bem no tamanho do lagarto, quase dois metros de comprimento...

E agora gostava de saber por que motivo chamam a Bangkok a Veneza asiática... Parece que a origem desta designação remonta ao séc. XIX quando havia mais canais do que aqueles que existem hoje em dia e talvez nessa altura as casas estivessem em melhor estado e água do rio mais limpa, não sei. É que em termos de beleza, Veneza é insuperável, embora no Verão os canais cheirem frequentemente a esgoto e haja mosquitos por todo o lado. Mas não há sequer comparação. Ainda assim, acho que este passeio é interessante mas não se tiverem tempo para o fazer, não perdem grande coisa. Ainda fiz outro passeio pelos canais de Bangkok noutra quase nos limites da cidade, mas com o intuito de ir espreitar um mercado à beira de um cais e um mercado flutuante pouco turístico. E esse sim, valeu muito a pena!

Como quase fui enganada no primeiro dia em Bangkok...

Parece um carrossel infantil mas são estátuas numa rotunda


O Palácio Real começou a ser construído em 1782 e foi, durante 150 anos, a
residência oficial da família real da Tailândia

Primeira manhã em Bangkok. Depois de tomar o pequeno-almoço, rodámos os calcanhares e lá fomos a pé para o Palácio Real, numa caminhada de cerca de 20 minutos ao longo da qual atravessámos inúmeros templos. Já perto do Palácio Real, depois de passar a rotunda dos elefantes fofinhos (ver foto acima), começámos a ser abordados por condutores de tuk tuks e "supostos" guias turísticos que nos diziam que o Palácio Real estava fechado naquele dia devido a um evento qualquer e, como tal, seria melhor ir visitar outras atracções. É claro que todas estas pessoas se ofereciam para nos levar a estes locais, passando primeiro numas quantas lojas de artesanato e pedras semi-preciosas....pois sim.. Não sabia se havia de acreditar neles mas, como sou desconfiada por natureza (às vezes dá um jeito do caraças) e estava a poucos minutos do palácio, decidi ir lá confirmar e, surpresa das surpresas, estava aberto! Mais tarde, descobri na net este link fantástico sobre os 10 truques mais usados para enganar turistas em Bangkok. E qual é o primeiro de todos? "O Palácio Real hoje está fechado!"



O Palácio Real abre às 8h00 e encerra às 15h30.

Depois de pagar 500 bath pelo bilhete de entrada no recinto do Palácio Real, passámos o resto da manhã a explorar os muitos edifícios que compõem esta imensa atracção, a mais visitada em toda a cidade. Já tinha sido avisada por amigos que aqui estiveram e por tal vim vestida de forma decente (não deixam entrar pessoas com ombros, pernas ou pés à mostra). Mas os mais distraídos podem ser encaminhados para uma sala, antes de entrar, onde lhes emprestam túnicas para se cobrirem. 


Foi disto que mais gostei, dos mosaicos ornamentais. Lindos!







Passei muito tempo a observar a misturada de pessoas (turistas, tailandeses, seguranças do espaço e monges budistas) e a fotografar detalhes como pequenas estátuas, mosaicos, janelas, plantas, e não dei pelo tempo passar. Mas voaram quase 3 horas entre a entrada e a saída no palácio. Não vi o Buda Esmeralda, uma das atracções do palácio, talvez a principal, porque a sala estava a ser usada para uma cerimónia.





Depois de visitar o Palácio e de almoçar por ali perto num restaurante muito agradável, com ar condicionado e de onde não apetecia sair, fomos fazer um passeio de barco pelos canais da cidade. Qualquer semelhança com Veneza é pura coincidência...