E o melhor da Ilha Terceira é ...


Há lojas antigas muito engraçadas ao longo desta rua



Pois... não é fácil dizer o que é melhor, porque entre as festas Sanjoaninas, a sensação, por vezes, de estar no Brasil, as piscinas naturais de Biscoitos e a descida às entranhas de um vulcão, é complicado eleger uma só . Uma coisa é certa. De todas as ilhas que visitei - São Miguel. Faial e Terceira- esta é a que tem a capital mais bonita. Não admira que seja Património Mundial da UNESCO.

Câmara Municipal de Angra do Heroísmo
Sé Catedral
Dá para combinar passeios na cidade com banhos na praia.





Parece ou não parece uma praça de uma vila colonial brasileira?


 Angra do Heroísmo lembrou-me imenso os vilarejos coloniais do Brasil pela arquitectura das casas, igrejas e conventos. Foi uma sensação curiosa. E depois, o facto da cidade estar em plenas festas Sanjoaninas, ajudou muito a dar-lhe um encanto especial. Estas festas duram 10 dias e fazem com que os hotéis fiquem completos e não haja carros disponíveis para alugar. Dizem que a Terceira é a "A ilha das festas", porque entre Abril e Outubro há sempre 1001 eventos. Há quem vá mais longe e diga mesmo que os Açores são um arquipélago com oito ilhas e um parque de diversões....a Terceira. Lá que foi divertido ir à Terceira, foi, não haja dúvida. Há vida na rua até às tantas, concertos, touradas, desfiles temáticos e quiosques de comida e bebida por todo o lado onde, invariavelmente, acabamos por conhecer alguém e ficar à conversa. Aqui ficam alguns locais imperdíveis que visitei, já sem contar com a maravilhosa cidade de Angra. Em três dias, podemos ver tudo isto tranquilamente. Mas dá vontade de ficar mais para desfrutar de tudo calmamente.


ALGAR DO CARVÃO
O bilhete para visitar o Algar do Carvão e a Gruta do Natal,
a 6 km de distância, custa 8 euros.



As imagens não chegam para descrever como este lugar é in-crí-vel!! Sabem aquela sensação rara que nos invade quando sentimos que somos um sortudos por podermos estar num determinado local? Senti isso elevado ao expoente máximo! A luz ténue, os tons das rochas, a música minimalista e os sons da água a pingar (convém levar um impermeável) e dos pássaros que nidificam na orla do vulcão criam um ambiente muito, muito especial. Vejam este vídeo e talvez dê para ficar com uma ideia. A temperatura média no interior ronda os 13 graus pelo que convém um agasalho. Tive oportunidade de falar com um dos guias locais que me disse que este é o único vulcão do Mundo que se pode visitar por dentro, por ter ficado oco. Disse ainda que existe um vulcão semelhante na Indonésia mas que não está aberto ao público. Sei que na ilha de Santa Maria dizem o mesmo, que têm o único vulcão do Mundo visitável por dentro. Tenho de ir a esta ilha para ver qual deles é mais espectacular. Se algum leitor conhecer este dois vulcões açorianos, pronuncie-se se faz favor.


                                                                      GRUTA DO NATAL



A gruta fica debaixo da Lagoa do Negro

A Gruta do Natal é um túnel com 697 metros, onde podemos ver as marcas que a lava deixou nas paredes. É interessante embora o Algar do Carvão seja insuperável em beleza. Esta gruta tem a particularidade de ficar por baixo de uma lagoa. O nome da gruta deve-se ao facto de terem sido celebradas missas de Natal no seu interior.


                                                              FURNAS DO ENXOFRE



Neste local onde a terra está constantemente a fumegar existem várias fumarolas, vestígios da última erupção vulcânica que aconteceu na Terceira, no século XVIII.  Existe um trilho circular que se faz em menos de 30 minutos. Apesar de haver fumarolas, infelizmente, a ilha Terceira não tem lagoas nem piscinas naturais de água quente como acontece em São Miguel.


                                                      POSTO DE VIGIA DA BALEIA



Provavelmente existem postos como estes em todas as ilhas, mas este foi o primeiro que visitei. Hoje em dia, alguns deles são utilizados para dar apoio a passeios turísticos de barco. A caça à baleia terminou em meados da década de oitenta. O último cachalote foi caçado em 1987 ao largo da Ilha do Pico.                                

TOURADA DE CORDAS
A tourada que vimos teve lugar na vila de São Sebastião. 
Antes de soltarem um touro, solta-se um foguete. Quando o touro
regressa à jaula, também. E se for colhido, ouvem-se 3 foguetes.


Os ambientalistas que me perdoem.. Eu achava que não gostava de nenhum tipo de tourada até assistir a uma tourada de cordas. Foi animadíssimo e se voltar à Terceira vou seguramente ver outra vez. É uma festa que atrai centenas de pessoas e dá para nos escangalharmos a rir com o atrevimento de algumas que se colocam à frente do touro e depois correm que nem loucas. Pelo caminho, tropeçam, trepam árvores e até caem dentro das fontes. O bicho não sofre, embora se canse. É bem pior para que se mete com ele porque, quase todos os anos, morre uma pessoa que é levantada no ar pelos cornos e cai de cabeça... Cornadas fatais não há porque o touro tem os cornos serrados. E feridos são mais que muitos. Felizmente, não assisti a nada disto. E apesar das baixas, as touradas continuam a ser populares e, num só dia, podem haver cinco touradas em diferentes locais da ilha.

                                                              ZONAS DE BANHOS
Praia da Vitória 

Zona de banhos junto ao Cais da Silveira
A piscina natural dos Biscoitos. No dia em que lá fui a
temperatura baixou 10 graus. Não houve banhos para ninguém.



                                                                GASTRONOMIA
Fábrica do queijo Vaquinha
Na Ilha Terceira produz-se um vinho branco seco
na zona de Biscoitos

Alcatra, um dos pratos típicos da ilha

Queijada Dona Amélia, um bolo delicioso que leva várias 
especiarias, cuja receita se deve à a uma visita da Rainha



IMPÉRIOS DO ESPÍRITO SANTO



É impossível andar pela ilha Terceira sem esbarrar com os Impérios. São pequenos templos onde se venera o Espírito Santo e que só abrem entre o domingo de Páscoa e os domingos de Pentecostes ou da Trindade. Durante as Festas do Espírito Santo (50 dias depois do domingo de Páscoa), são cumpridos vários rituais religioso, como a coroação do Imperador Menino, cortejos e o bodo de pão e de carne. Qualquer pessoa que visite a ilha nesta altura poderá experimentar as famosas sopas do Espírito Santo. Trata-se de um festa com mais de 500 anos de tradição, celebrada com enorme fervor um pouco por toda a parte. São sacrificados vitelos para o bodo de carne e muita da comida confeccionada é oferecida a pessoas mais desfavorecidas. Ricos e pobres, locais e forasteiros, todos são bem-vindos



Que tal trocar de casa nas férias?

Curiosamente, a primeira vez que ouvi falar de troca de casas para férias foi através da minha mãe, há uns seis ou sete anos atrás. Na altura, ela  tinha umas colegas no emprego que já tinham trocado as casas onde viviam em Lisboa e arredores por outras por esse mundo fora. Uma dessas amigas chegou mesmo a trocar um apartamento de férias junto à Ericeira por um pequeno castelo no Vale do Loire. Achei esta história fantástica! E mais, achei que estas amigas eram muito à frente porque muitas delas tinham mais de 55 anos, o que demonstrava uma abertura de espírito notável. Confesso que a ideia de trocar a casa onde vivo, com todos os meus pertences, não me agrada por aí além... Mas fazê-lo com uma segunda habitação já não me incomoda nadinha. E assim, um belo dia, já proprietária de uma segunda casa em Lisboa, resolvi ir espreitar o site Homeexchange.com e registar-me, pagando uma quantia irrisória: 35 euros ao ano. Agora, alguns anos mais tarde, estou já a caminho da quarta troca e acho que já ninguém me vai fazer parar! Aqui ficam algumas coisas que aprendi nos últimos anos.

1- PLANEAR ATEMPADAMENTE
As férias de Verão devem começar a ser planeadas a partir de Dezembro do ano anterior. Pode parecer um exagero tanta antecedência mas não é. No ano em que me inscrevi, fi-lo em finais de Fevereiro e comecei logo a fazer contactos com franceses com casa em Biarritz, para onde tencionava ir. Descobri que já tinham todos trocas combinadas e não pude seguir com o meu desejo de visitar aquela região. Acabei por ir parar a uma vila de pescadores amorosa perto de Tarifa: Zahara de los Atunes. É claro que nem toda a gente tem planos de férias fechados em Fevereiro, porque assim que o meu anúncio ficou visível comecei a ser bombardeada com "n" propostas interessantes, mas nada encaixava nas prioridades que tinha definido... Tive de me sujeitar ao que havia. Mas planeando com tempo, temos o Mundo inteiro ao nosso alcance. Para jogar pelo seguro e aproveitar os preços das companhias low cost, fechei no passado mês de Abril uma troca para Dezembro. Falta imenso tempo, bem sei, mas já está tudo acertado e voos comprados a preço de saldo. E esta viagem já ninguém me tira.

2- TROCA-SE PALÁCIO REAL POR TENDA DE CAMPISMO
De início, fez-me muita confusão algumas das propostas de troca que recebi, ao ponto de julgar que estavam a gozar comigo ou que se tinham enganado no anúncio. Convém explicar que a casa que registei é um estúdio muito fofuxo, as fotos estão lindas, mas o apartamento tem menos de 40 metros quadrados. Daí ficar incrédula com propostas de troca por mansões de luxo em Miami, casarões em Florianópolis, coberturas em Paris, vivendas em Orlando e outras casas surreais onde o meu mini apartamento caberia mais de dez vezes à vontadinha.... Mas sim, é real, há quem procure apenas um local com bom ar e central para dormir e não se importe se não existe termo de comparação. Parece bom demais para ser verdade mas, sim, podemos trocar uma casinha de "pynipons" por um castelo do século XIX nos Alpes austríacos.

3- PRIMEIRO VENS TU, DEPOIS VOU EU (ou vice-versa)
Até agora, nunca fiz trocas simultâneas de casa, embora haja muita gente que o faça. Como a casa que troco não é a casa onde vivo, não tenho necessidade de o fazer. E como gosto de conhecer as pessoas com quem troco de casa, só escolho casas que também são segunda habitação (existe um filtro no site que permite seleccionar esta opção). Deste modo, posso ficar a conhecer as pessoas com quem combinei a troca e a experiência, na minha opinião, é bastante mais enriquecedora. Fiz recentemente de anfitriã a uns parisienses e só faltou dar-lhes colinho. Passeámos juntos, jantámos juntos e deixei-lhes um cabaz gourmet no apartamento. Mas tenho cá um "feeling"de que não vai acontecer o inverso.... Acredito que a hospitalidade tuga está entre as melhores. Vamos ver... ( adenda em setembro de 2015: os parisienses nem me deram a chave em mão.... não os voltei a ver em Paris..bem me parecia que não ia ser igual!)

4 -DAR O DITO POR NÃO DITO
De início, quando procurava uma casa, escrevia a uma pessoa de cada vez e ficava alguns dias à espera de resposta até perceber, com o passar do tempo, que a maior parte das pessoas não responde de todo às mensagens. Agora sei que quando procuramos casa num determinado local vale a pena escrever para umas quinze, ou mais, uma só vez e depois logo se vê. Muita gente ignora as mensagens, outras seleccionam o envio automático de resposta negativa, três ou quatro dão-se ao trabalho de escrever uma mensagem personalizada a dizer que já estiveram em Lisboa ou que este ano não podem vir mas vão guardar o nosso contacto e, com sorte, duas ou três mostram interesse. Neste ano, quis trocar de casa com estrangeiros que têm apartamentos de férias no Algarve e escrevi para imensos. Só cerca de 30% é que me respondeu e cheguei a ter troca combinada com duas famílias, primeiro com uns irlandeses e depois com uns belgas, Ambos roeram a corda algumas semanas depois de estar tudo combinado, o que foi uma desilusão total. Há sempre um grau de risco, envolvido, mas acho que tive azar com as pessoas... Eu era incapaz de tirar o tapete a alguém desta maneira. Felizmente, não envolvia compra de bilhetes de avião. Por isso, quando combinarem uma troca, tentem ir falando várias vezes com as pessoas, telefonem uma vez e avisem da compra dos bilhetes de avião. Façam tudo isto aravés da caixa de mensagens do Homeexchange para ficar registado e coberto pelo seguro da empresa em caso de haver algum azar.

5- MIMINHO É TÃO BOM!
Mandam as regras da cortesia deixar tudo bem preparado para receber as pessoas que vão trocar de casa connosco. Eu deixo sempre um cesto com frutas, uma garrafa de vinho, um queijo,  mapas e uma lista de dicas e locais a visitar, como mercados, eventos na cidade, restaurantes, transportes a usar, etc  Os espanhóis que me receberam perto de Tarifa fizeram o mesmo e, se não fosse isso, nunca teria descoberto uma vila histórica (Castelar Viejo) a uma hora e meia de Zahara de los Atunes, que adorei visitar e que, por incrível que pareça, não vem nos guias de viagem. Se tiverem sorte com as pessoas, até podem criar amizade com elas. Recebi uns italianos há três anos que ainda hoje me escrevem. 

Este ano, tenho já duas trocas combinadas e, viciada como sou em viagens, já ando a pensar nas trocas de 2016...  Se pesquisarmos no site Homeexchange encontramos casas disponíveis em todo o lado! Açores, Islândia, Hawai, Bali, Japão.. e podemos até usar os fitros de pequisa para procurar quem quer vir especificamente para Lisboa e assim ver as casas com maior potencial de troca. Dá para estar horas entretida nisto.... Enfim, sonhar é tão bom. E é grátis!


10 coisas que aprendi sobre baleias na ilha do Faial (Açores)





Dizem que é a partir dos passeios com origem no Faial ou no Pico que se tem maior possibilidade de avistar baleias, embora se possam encontrar excursões em todas as ilhas. Nada como confirmar. E para tal, levantei-me bem cedo para estar ainda antes das 9h00 no Porto do Faial, no escritório da Horta Cetáceos, onde nos aguardava o Pedro, um comunicador nato "doutorado" em baleias. O tempo parecia não ajudar, estava a chover e não nos garantiram que faríamos o passeio. Lá foram ligando aos dois vigias que existem na ilha  (duas pessoas que passam o dia em locais estratégicos e de binóculos apontados para o mar) até confirmarem que havia baleias em alto mar. E lá fomos nós à procura delas. Pelo caminho, aprendi imensa coisa que não sabia:

1- Existem cerca de 85 espécies de baleias e nos Açores é possível avistar cerca de 25 ao longo do ano. Algumas são residentes, outras são migratórias. 

2 - As baleias residentes são sempre as fémeas. Os machos vão passando para dizer "olá" e dar umas pinocadas, "mai nada"...

3- Quase todas as baleias migratórias que aqui passam estão a caminho do Ártico.

4 - Só a baleia azul, que pode até ter 30 metyros de comprimentos, come perto de 4 toneladas de plancton por dia. Quando abre a boca, forma uma autêntica gruta com 9 metros de largura....

5- O que mais vemos nestes passeios são cachalotes. Podem mergulhar até 3 mil metros de profundidade. 

6- A caça ao cachalote nos Açores terminou em 1987. Não foi assim há tanto tempo.

7 -Na altura em que se caçavam cachalotes, fazia-se farinha com os ossos para produzir ração para os animais,  o óleo era usado como combustível e a carne era consumida, mas consta que não era grande coisa e por tal o seu consumo não deixou saudades.

8 - Os guias que acompanham estes passeios são quase sempre estudantes do Mestrado em Oceanografia, um curso que, em Portugal, só existe na Universidade dos Açores. 

9 -Também há passeios para ir nadar com golfinhos em alto mar e para nadar com tubarões. Gostei de saber que este último é feito bem longe da costa....

10- A melhor altura do ano para fazer estes passeios, quando se conseguem avistar mais espécies de baleias, é na Primavera. Eu fui em finais de Junho. No Inverno, as condições do mar não são as melhores por isso não há passeios.


E pronto, foi um passeio de manhã inteira (levem snacks e protector solar) que mereceu bem os 55 euros que paguei. Vi muitos cachalotes e imensos golfinhos. Mas os guias, no início do passeio, avisam logo que não é 100% garantido de que vamos ver baleias. Mas também dizem que é mesmo muito raro elas não aparecerem, Para a próxima, já decidi, vou nadar com golfinhos em alto mar. 

Visita relâmpago à ilha do Faial (Açores)


Fiquei instalada no Faial Resort Hotel e recomendo.
A vista para a ilha do Pico é impressionante!
 Tantas histórias de tanta gente de tantos lugares do mundo.
Este é o 3º Porto da Europa que recebe mais embarcações de recreio
e o 4º do Mundo.




Foi mesmo uma visita relâmpago. Apenas uma tarde e um dia inteiro nesta ilha. Soube-me a pouco, até porque estava calor e nem houve tempo para ir a banhos na maravilhosa praia de Porto Pim ou nas piscinas naturais. Ainda assim, consegui ver o principal: a marina repleta de pinturas feitas por tripulantes de embarcações de todo o mundo (uma tradição que consta dar boa sorte). Andei mais de duas horas sózinha a ver estas pinturas que incluem sempre o nome da embarcação, país de origem e ano e que atracaram no Faial. Também fui espreitar o famoso bar Peter's, cujo dono é uma simpatia e prepara gins que ficaram famosos, alguns dos quais usando as frutas da ilha: gin com ananás ou gin com maracujá. O Peter é de tal modo uma figura emblemática da ilha que tem uma rua com o nome dele onde, aliás, uma boa parte dos negócios desta rua lhe pertencem: café, lojas e agência de passeios para ir ver baleias e golfinhos.


O "Peter Café Sport", na rua em frente à Marina.
Convento de São Francisco (1522)
Baía de Porto Pim
A praia de Porto Pim


Praia de Almoxarife. Almocei muito bem no Restaurante Minimar,
colado a esta praia.

Amei a cratera vulcânica com 8 kms de diâmetro, provavelmente a paisagem mais incrível que vi nas 3 ilhas que visitei. E claro, também visitei o centro interpretativo do Vulcão dos Capelinhos que me deixou de queixo caído dada a qualidade interactiva deste Museu onde podemos saber tanto sobre este vulcão e ler tantas histórias de testemunhas que ficaram (houve quem ficasse a viver na ilha durante os meses todos que durou a erupção) e que partiram (muitos aproveitaram as facilidades dadas pelos EUA e Canadá para emigrar). E, claro, nenhuma visita ao Faial ficaria completa sem um passeio para ir ver as baleias. Fui, vi e, se não fosse tão caro, teria também feito o tour para nadar com golfinhos em alto mar, uma experiência que dizem ser memorável e parece que são poucos os locais do mundo onde se pode nadar com golfinhos selvagens. O Faial é sem dúvida uma ilha para repetir, até porque serve de base para visitar Pico (existe rivalidade entre as duas ilhas mas uma não vive sem a outra) e do Pico podemos ir facilmente a São Jorge. Dizem que esta última e as Flores são as ilha mais bonitas do arquipélago. Um dia, vou ter de confirmar.

O farol da ponta dos Capelinhos.
O contraste entre a parte nova da ilha (pós erupção) e a parte
que já existia é bem visível a olho nu.
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Foto panorâmica da cratera de vulcão com 8 kms de diâmetro. Existem vários
trilhos para fazer caminhadas de 3 a 5 horas em redor desta cratera.


Os Capelinhos foram outra boa surpresa. Eu adoro vulcões, por isso já sabia que ia gostar da paisagem lunar mas estava a milhas de imaginar que o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos fosse tão bom, merecendo cada cêntimo dos 10 euros que custa o bilhete. Tem uma exposição excelente com depoimentos de habitantes e vulcanólogos, muitas histórias de quem ficou e de quem partiu,  um vídeo sobre o vulcão, hologramas, um apanhado de notícias sobre as erupções, fotos magníficas e a vista incrível do topo do farol onde é bem visível a parte nova da ilha, já que o farol antes estava na ponta. Foi a 27 de Setembro de 1957 que este vulcão começou a cuspir fogo, pedras e lava sem parar, durante 13 meses! E enquanto alguns habitantes fugiram, emigrando para os EUA e Canadá (estes países facilitaram a entrada de açoreanos devido ao vulcão), houve quem ficasse de pedra e cal, recusando-se a abandonar a sua casa. Há relatos de todas estas pessoas ao longo da exposição. E muitas delas afirmam mesmo que esta erupção foi a melhor coisa que aconteceu no Faial já que colocou a ilha nas bocas do mundo e atraiu vulcanólogos de várias nacionalidades e inúmeros turistas, indiferentes aos muitos tremores de terra que se seguiram durante meses a fio. Era mesmo eu que ficava a viver em cima de uma bomba relógio...

Um bunker da Segunda Guerra Mundial no monte do
miradouro da Sra. da Guia. 
Fábrica da Baleia, uma das principais atracções do Faial, na subida para
o Miradouro da Senhora da Guia
Vista do céu, esta cratera tem a forma perfeita de um coração.



Nunca vi tanta a gente pescar tanto peixe em tão pouco tempo.
E mesmo ao lado, uma piscina natural com vista para o vulcão.
O peixe no mercado do Faial. Baratíssimo!
Isto é uma dose para dois...Dá para quatro à vntade.

Um livro repleto de histórias curiosas.

A despedida do Faial não poderia ter sido melhor, terminando com um jantar soberbo num novo restaurante, o Guernica, propriedade do Sr. Genuíno, na baía de Porto Pim. Assim que me sentei à mesa reparei que a sala de refeições estava cheia de artesanato, camisolas e postais de todo o Mundo, o que me deixou intrigada por ser um restaurante novo. Tive de perguntar ao empregado que me serviu qual o motivo daquela decoração. Fiquei a saber que o dono, o Sr. Genuíno, já deu duas vezes a volta ao mundo num veleiro. E sempre sózinho. Uma história fascinante de determinação e coragem. Trata-se do único velejador português a conquistar este feito por duas vezes e o 10º do Mundo a fazer esta viagem, dobrando o cabo Horn do Atlântico para o Pacífico. É claro que quando o próprio do Genuíno veio à nossa mesa perguntar se estávamos a gostar do melhor arroz de marisco que já comi até hoje (uma dose de 25 euros que dava para 4 pessoas, sobrou imenso...), foi bombardeado com perguntas a torto e a direito... Nunca tinha falado com ninguém tão viajado e fiz questão de lhe perguntar montes de coisas. Ele foi bem simpático e respondeu a tudo. Quais os locais que mais gostou de visitar? As ilhas Marquesas, onde viveu Gauguin, um dos seus pintores preferidos, e Jacques Brel, que teve oportunidade de conhecer pessoalmente. E destacou também a Ilha da Páscoa. As histórias mais marcantes estão todas no livro de capa dura que vende no restaurante (folheei e gostei) e ainda vende CD's com as músicas que o acompanharam nas viagens. Ou seja, é um ex-pescador, agora mestre de hotelaria e com veia de marketeer. Lindo!


Para finalizar o relato sobre o Faial, tenho de destacar a rivalidade entre esta ilha e a ilha do Pico. Estas duas ilhas têm uma relação de amor-ódio. E como Pico não há hospital, os faielenses fazem troça dos seus rivais porque têm de ir nascer no território do "inimigo". No Pico também não há cidades nem porto marítimo e os habitantes fazem troça dos do Faial porque dizem que a vista mais bonita que os faielenses têm na ilha deles...é a do vulcão do Pico. Por outro lado, este mesmo vulcão é muito útil aos faielenses para fazer previsões meteorológicas. Pela forma como as núvens, ou a sua ausência, contornam o vulcão, mais abaixo ou mais acima, em maior ou menor densidade, sabem se vai chover ou não e se vai estar mais ou menos calor. É curiosa esta ligação entre as duas ilhas. E apesar de tudo, conheci alguns locais no Faial que me falaram maravilhas das festas, da comida, das praias, piscinas naturais e do vinho da ilha do Pico. Vou ter de lá ir um dia para confirmar.