Duas horas em Toledo



Já de regresso a Portugal, parei umas horitas em Toledo para fazer revisões a esta cidade que já visitei várias vezes mas que não me cansa a vista por mais vezes que lá volte. E parece que há uns milhares de visitantes que partilham a mesma opinião a avaliar pelos magotes de gente que andava pelas ruas.
Entre o bairro árabe e o judeu, é difícil escolher qual deles é mais interessante.  Adoro perder-me nas ruas estreitinhas de ambos. E a Catedral é bem bonita. Só é pena a cidade estar pejadinha de lojas para turistas porta sim porta sim. Muito facalhão e canivete se vende por aqui. De todos os tamanhos e feitios.










São muitas as lojas que vende doces de mazapão. Dispenso, muito obrigada.


Para terminar o passeio em beleza, parei numa psatelaria de freiras com uma montra bem engraçada que encantou a criança que há em mim.



Palácio Real de Aranjuez

Real Iglesia de Santo Antonio (séc. XVIII)

Foi no reinado de Carlos III e Carlos IV que Aranjuéz viveu a sua época de maior esplendor

O palácio fica à beira do Rio Tejo cujas águas eram usadas para regar os jardins




Aranjuez fica a meia hora quer de Madrid quer de Chinchon. E vale a pena dedicar umas duas horitas de passeio  a esta vila para conhecer os jardins centenários onde os Reis Católicos & Companhia gostavam de caçar (jardins enormes onde as árvores são tantas e tão altas que a luz do sol mal se vê) e os vários edifícos do Palácio e respectivos jardins.
É curioso saber que o Palácio de Aranjuez faz parte de um conjunto de quatro "casitas" da família real espanhola, já que esta gostava de ter um retiro para cada estação do ano. Como o Palácio Real de Madrid era considerado pouco acolhedor, construiam estas "casitas" em redor da cidade, mais modestas e mais"cosy". O Palácio de Aranjuez era frequentado na Primavera),  o Palácio La Granja  no Verão, o Palácio El Escorial no Outono e, no Inverno, os reis lá faziam o favor de abancar no Palácio de Madrid. Até dói só de pensar que cada palácio destes podia custar vários Euromilhões enquanto uma boa parte da população se desunhava para arranjar comida...

Um dia no Parque da Warner Bros

Para quem viaja sem crianças, vale a pena entrar no Parque depois das quatro da tarde,
quando os valores dos bilhetes diminuem consideravelmente.

O Parque da Warner fica em San Martin de La Vega, uma terreola sem interesse, a meia horita de carro de Chinchon. Ao dispor dos visitantes, existe um parque de estacionamento imenso (a pagantes...) e autocarros e linha de comboio que fazem ligação a Madrid.
O Parque abre às 11h da manhã e o horário de encerramento varia ao longo do ano. Quando lá fui, numa manhã cinzenta de Abril, o clima ameaçava chuva e trovoada. Mas felizmente não chegou a cair um pingo e as núvens acabaram por dar espaço a um dia de sol. Junte-se-lhe um punhado de montanhas russas e foi um dia perfeito, embora tenha saido do parque mais pobrezita do que lá entrei . Foram as entradas (bilhetes para 2 adultos e 2 crianças rondam os 180 euros..), as refeições, os gelados, as águinhas, os souvenirs... Mas valeu a pena, até porque o destino me andou a trocar as voltas e já andava a pensar nesta visita desde que o parque inaugurou, ou seja, há 10 anos.

Logo junto as bilheteiras, as crianças são medidas para saber se pagam ou não bilhete. A vantagem de pagarem é que poderão depois usufruir de uma série de divertimentos no parque exclusivos para quem meça mais de um metro e pouco. Ou seja, criança que não paga é sinal de que não vai poder andar em quase nada dentro do parque.



Uma casa assombrada.
A montanha-russa do Super Homem. Uma das melhores, para quem gosta,
como eu, de sentir o estomâgo às voltas. Velocidade máxima de 104 km/hora.
E para quem ficar encharcado aqui, é ver a imagem mais abaixo.

O que é isto? Um secador de corpo inteiro. Por um euro, esta maquineta
exala um sopro quente que elimina a humidade. O jeito que isto me dava cá em casa,
se não fosse um enorme mastronço...
«
Stunt Fall, uma montanha-russa toda em madeira. O carro estremece ao longo de toda a viagem.



E este foi um dos meus preferidos, o Lex Luthor:




Algumas lojinhas em Chinchon

A loja mais castiça que encontrei, embora não vendesse nenhum dos "artigos estrela"
da vila: anis, alho e pão com formas originais (a massa lembra as nossas regueifas
do Norte de Portugal).
A Plaza Mayor está repleta de bares e restaurantes convidativos, muitos deles
com esplanadas e mesas nos balcões superiores.



Os doces típicos lembram a nossa doçaria de Natal, filhozes, rabanadas (leche frita),
coscorões (torrijas) e afins. Tudo muito saudável, portanto.

Loja com artigos giríssimos em ferro forjado

Escapadela a Chinchon para ir ao Parque da Warner Bros

Chinchon é uma vila para descobrir a pé. Ao percorrer as suas ruas estreitas e empedradas
(atenção ao calçado), vamos encontrando  igrejas, conventos e casas brasonadas.

Foi aqui, na Plaza Mayor, que foi filmado um célebre anúncio da Coca-Cola
com várias vedetas, entre elas o Figo, a jogar futebol. Para rever aqui.
Chinchon é uma vila apetitosa, a cerca de 45 minutos de Madrid e a meia hora do Parque de diversões da Warner Bros. A visita ao parque foi o principal objectivo da viagem. Arranquei de Lisboa numa quinta-feira à noite e fiquei a domir em Elvas, para encurtar caminho. Depois fiquei duas noites em Chinchon, no Hostal Chinchon (simpático e acessível, mas numa rua pedonal, logo tive que atravessar a vila com as malas...)  e, no regresso, também para encurtar caminho, uma noite em Talavera de la Reina. Foi melhor assim para evitar grandes esticões a andar de carro. O balanço? Mais que positivo! Chinchon é muito pitoresca, tem vários arredores que vale a pena visitar e o Parque Warner superou as expectativas, com as suas montanhas russas fantásticas! Andei em todas.

Esta praça data de 1499 e mantém bem preservado o seu carácter medieval.
Hoje em dia, recebe um mercado todos os sábados, algumas touradas, de quando
em quando (as de Oûtubro são as mais famosas) e outras celebrações festivas.
Esta fonte outrora era utilizada pela população como lavandaria.
Da praça avista-se uma parte da Igreja da Nossa Senhora da Assunção, que domina a paisagem
A Torre do Relógio é tudo o que sobra de uma antiga igreja do séc. XV
Sabe bem abancar numa esplanada e assistir à "movida" de Chinchon.

Nova Iorque by night

Já que esta foi a terceira vez que fui a NY, aproveitei para conhecer a noite da cidade. Gostei, mas não é nada que se compare ao andamento de Berlim. OK, estive em Berlim no Verão, o que também ajuda a dar outro encanto à noite, principalmente nos locais à beira rio.
Em NY, fui a um clube nocturno no Soho assistir a um concerto de uma banda da editora Weird Records. A banda era gótica, tal como o ambiente do Club - Home Sweet Home- e a maior partes das pessoas que por lá andavam. O porteiro era um autêntico clone do vocalista dos Cure, impressionante. Gostei da decoração do espaço, sinistra, com um balcão de bar repleto de objectos estranhos, paredes de tijolo e uma iluminação fraca e pardacenta.


Noutra noite, fomos ver um concerto de Simian Mobile (ver vídeo) a uma mega-discoteca no bairro de Hell's Kitchen- o Terminal 5. Estava apinhado de gente de todas as idades, estilos e preferências sexuais. Mas ninguém fica especado a olhar para ninguém. Só mesmo eu é que estava a tentar disfarçar o meu fascinio pelas fatiotas de algumas drag queens que por lá andavam a cirandar e que emprestavam outro colorido ao espaço.


Não entrei neste sítio - o Roseland Ballroom - mas não resisti a tirar esta foto que até nem ajuda muito a perceber como estava concorrido na noite em que lá passei à porta. Estava a atravessar a Broadway a pé e vi tanta gente, mas tanta gente numa fila gigantesca que dava a volta a vários quarteirões, que achei estranho, fiquei curiosa e fui seguindo o fio à meada até perceber onde começava. Só tinha homens. Quase todos de bigode. E de t-shirt de manga à cava. Muitos deles, com calças de licra ou de cabedal. Nunca tinha visto tanto gay junto! Qual seria o concerto daquela noite? 
Ainda pensámos em ir também uma noite ao Cielo, outra discoteca super "in", no bairro de Meat Packing District (vale a pena vir aqui jantar!), mas acabou por nos faltar a energia. Os bares de Williamsburg, em Brooklyn,  também pareciam ser giros, mas não entrámos em nenhum. Tivemos de ser selectivos nas nossa escolhas porque as entradas nas discotecas são caras e as bebidas idem... E nalguns sítios, até só servem uma bebida por pessoa. Algo impensável em terras lusas.

Uma tarde em Brooklyn

Gelataria que consta da rota de muitos domingueiros de NY e arredores.
Depois de provar os gelados italianos, nem senti a tentação de provar os americanos
Bar lounge
Manhattan até parace gira vista ao longe. Mas prefiro a versão by night.
É giro estar nestes banquinhos uma meia hora, pelo menos, a observar quem passa,
a escutar as conversas das "nannies" e a assistir a um frenesim constante de helicópteros,
do outro lado do rio, nos seus passeios turísticos sobre a a ilha.

A meio da tarde, é impressionante a quantidade de "nannies" afroamericanas
que vemos a tomar conta de crianças brancas.


Jardim em frente a um campus universitário



Mais uma loja de música, em Williamsburg, onde passámos algum tempo.



Restaurante em Williamsburg

A vista de Manhattan, mas a foto não faz jus ao espectáculo em que a cidade se revela à noite. 
O melhor de Brooklyn foi sem dúvida o passeio no bairro de Williamsburg que ganha uma nova vida à noite, com os seus bares e restaurantes acolhedores e lojas alternativas. É uma espécie de Bairro Alto lá da zona, onde vivem jovens músicos e artistas sem cheta para pagar as renda do lado de lá do rio. O metro chega até aqui, mas não há transportes desde o final da ponte de Brooklyn até este bairro, tive de vir de táxi. E gostei tanto, que voltei à noite para encontrar um ambiente completamente diferente e muito, muito convidativo. Mas só a vista para Manhattan já valia a viagem!

Travessia a pé da ponte de Brooklyn

O Pier 17 tem lojas, restaurantes, bares e esplanadas.

Meti na cabeça que desta vez iria atravessar a ponte de Brooklyn a pé. E atravessei mesmo. Depois de um banho de multidão na 5º Avenida, devido aos festejos esverdeados do St. Patricks Day, soube bem atravessar calmamente a ponte, desde Manhattan até Brooklyn. A coisa faz-se em cerca de 25 minutos, com paragem para fotos. E é curioso que a cidade se vai tornando mais interessante quanto mais a observamos ao longe. É a minha opinião, vale o que vale. Para mim, a cidade durante o dia não tem grande encanto. Mas de noite, e vista de Brooklyn, lá que tem a sua magia, tem.