Cores e odores do Mercado Omicho em Kanazawa (Japão)

A entrada principal do mercado



Snacks de peixe seco.....Argh!|

Cogumelos de diferentes variedades

As lojas de saké colocam uma bola de cedro à entrada quando querem
anunciar a existência  de saké novo para venda.
Chá verde a granel de uma variedade
 com menos cafeína que o normal

Já devo ter escrito isto algumas trinta vezes, mas volto a repetir. Adoro visitar mercados. Como tal, não poderia deixar de ir dar uma espreitadela ao Mercado Omicho, o principal mercado da cidade de Kanazawa que remonta ao Período Edo (meados do séc. XVIII). O mercado, que fica a uns 20 minutos a pé da estação de comboios de Kanazawa, tem cerca de 200 stands de fruta, legumes, peixe, carne, pickles, chá, flores, tofu, bolinhos de peixe, artigos de cozinha e, o que mais me impressionou, uma grande variedade de alimentos secos e fumados. É um festival de cores, mas nem tanto de odores, já que tudo está tão imaculadamente limpo que só se nos aproximarmos muito das bancas é que sentimos o odor dos alimentos. Está aberto todo o dia e nas horas de almoço é muito frequentado pelos locais e por turistas que aqui vêm almoçar aos seus restaurantes. E é aqui que se abastecem os restaurantes da cidade, conhecidos por servirem pratos de peixe e marisco do Mar do Japão. 


Banca especializada em peixe frito e fumado









Estação de comboios de Kanazawa, uma das 10 mais bonitas do Mundo.

A Estação de Kanazawa foi inaugurada em 2005
Esta é a principal estação de comboios na prefeitura de Ishikawa
e serve cerca de 20.000 passageiros por dia

As colunas de madeira lembram tambores gigantes

Uma fonte que escreve o nome da cidade e a hora local
com jactos de água

Quando cheguei a Kanazawa, vinda de Takayama (uma viagem de comboio que me fez passar por locais com paisagens deslumbrantes), não fazia ideia de que a estação de comboios JR fosse uma obra arquitectónica tão impressionante! Trata-se de uma interpretação moderna de um portão de um templo shintoísta, embora seja mais descrita como tendo forma de um tambor. Para mim, vista de longe, lembra um capacete de Samurai. Seja lá qual for a inspiração, passado e futuro andam de mãos dadas nesta obra de engenharia, como acontece em tantos outros aspectos no Japão. Para a Revista Travel&Leisure, uma das bíblias da escrita de viagens, esta é mesmo uma das 10 estações de comboios mais bonitas do mundo. Também consta uma estação de comboios portuguesa nesta lista e não é muito difícil adivinhar que se trata da Estação de São Bento, no Porto, a norte de Portugal. A construção foi polémica, como acontece frequentemente quando se tenta construir algo mais arrojado em locais com fortes tradições históricas e culturais, como é o caso desta cidade que sobreviveu aos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial. Espero que a população já se tenha conformado. Para mim, foi a estação mais bonita que vi até hoje. E já vi várias das que estão na lista.

Shirakawa-go. Uma vila japonesa Património Mundial da Humanidade


Para chegar à vila, há que atravessar uma pequena ponte estilo "Indiana Jones"

Mais uma miúda que me apetecia
ter trazido comigo...
Os canais de rega estão cheios de peixes
pois também servem para aquacultura- Genial!

Estava capaz de cortar os pulsos se não tivesse ido ver esta vila. Posso dizer que de todos os locais que tinha planeado visitar no Japão, este era o aquele mais queria ir ver. Shirakawa-Go é uma vila localizada no vale Shokawa, os Alpes Japoneses, que parece uma aldeia de bonecas retocada com Photoshop. Mas é tudo real e 100% natural. A arquitectura das casas, de estilo "Gassho-zukuri", com telhados de colmo bem inclinados, faz lembrar as casa de Santana, na ilha da Madeira. Com a diferença de que nesta pequena aldeia só existem casas destas, todas de telhado inclinado estilo "Gassho" que significa "mãos em oração", pois assemelham-se à forma das mãos quando juntas para rezar. Estes telhados são construídos de forma a suportar o peso da neve, que pode ir até aos dois metros de espessura, e a escoar a água da chuva, para que a palha não apodreça. Até aos anos 70, era frequente as famílias que habitavam estas casas dedicarem-se à criação de bichos da seda.

Espantalhos num dos campos cultivados 




No vale Shokawa existem duas zonas que merecem ser visitadas, Shirakawa-go e Goyakama. Das 1800 casas Gassho, restam hoje cerca de 150 distribuídas por várias aldeias, todas elas Património Mundial da Humanidade. Estas vilas ficam entre Takayama e Kanazawa e não existe comboio para lá chegar. Existem autocarros para lá chegar, para os preços dos bilhetes são exorbitantes, se tivermos em conta que fica apenas a 35 km de Takayama. Rondam uns escandalosos 40 euros por pessoa. Também existem excursões com preços ligeiramente inferiores, 30 a 35 euros por pessoa. Mas como éramos 3 pessoas, alugámos um carro por seis horas numa companhia rent a car mesmo em frente à estação de comboios de Takayama (é uma grande ideia esta do aluguer de curta duração), pagando cerca de 60 euros, e fomos por nossa conta e riso para Shirakawa-Go, poupando 60 euros caso tivéssemos ido de autocarro. Andámos calmamente a passear na vila, sem pressas, ao nosso ritmo, até ao anoitecer. Regressar a Takayama foi uma aventura, porque se na ida nos tinham programado o GPS para lá ir ter direitinho, no regresso não sabíamos programar a maquineta para nos levar de volta à vila. Foi um filme.... mas fomos lá dar por estradas secundárias. E felizes da vida por termos passado umas boas horas nesta vila pitoresca que eu tanto queria no ter no meu cadastro de viajante. E já ninguém a tira de lá.

Um grupo de estudantes simpáticas
com quem estivemos à conversa
Até as tampas de esgoto têm design!


A vista da vila de um ponto alto




Museu Popular de Hida Takayama, Japão.

Pão seco para alimentar as milhentas
carpas do lago
A  bilheteira à entrada do Museu. Preço do bilhete: 500 yenes
Rokujizou: 6 estátuas budistas esculpidas em 1740, representando
os 6 caminhos da Transmigração. 
Estes telhados aguentam com 2 metros de neve no Inverno
Um pequeno templo

Na última manhã que pássamos em Takayama, antes de partirmos para a cidade de  Kanazawa, fomos dar uma volta na vila de Hida, onde ficava o nosso ryokan. Esta vila atrai muitos visitantes por ter uma grande concentração de museus. E houve um em particular que me pareceu ter interesse, o Hida Takayama Folk Village. Trata-se de um museu ao ar livre onde podemos ver cerca de 30 casas antigas que vieram da região do vale Shokawa para aqui, para se manterem preservadas. Quando passámos junto à entrada deste museu, ainda hesitámos. Entramos? Seguimos em frente e vamos ver a vila? Decidimos ver quanto custava a entrada e ver os folhetos em inglês que tinham à disposição dos visitantes. Para meu espanto, sendo esta uma atracção importante, cada bilhete custava apenas 500 yenes, cerca de 5 euros. Um preço que pesou na nossa decisão de entrar. E ainda bem que o fizemos porque pudemos ver muitas casas por dentro, a maior parte delas com objectos da época e explicações em inglês sobre o modo de vida da população e as soluções encontradas para se protegerem de Invernos estupidamente rigorosos. Até 1950, antes da electricidade se vulgarizar no Japão, era assim que se vivia nesta região.


As cores do Outono são espectaculares.
Sou suspeita, é a minha estação preferida.




As antigas casas japonesas eram despojadas de móveis.
E todas tinham um altar, como o que se vê ao fundo.

Uma senhora a bordar panos tradicionais para  venda.
O SPA...
Trenós para as crianças brincarem na neve
Calçado feito com palha para andar na neve
Todas as casas têm um  Irori que  serve para aquecer,
cozinhar e é também o centro da mesa das refeições.
Os elementos da família têm lugares reservados em redor
do Irori. A mulher fica no lugar mais perto da cozinha....
Botijas de água quente feitas em loiça para colocar junto
aos pés e ao colo.
O sótão das casas era usado para fazer criação de bichos da seda
e secar os casulos.
E assim passámos mais de duas horas entretidos a ver casas, templos, objectos antigos, jardins, artesanato e a ler as descrições em inglês sobre o modo de vida na região até aos anos 50. Estivemos quase três horas entretidos neste Museu, sem reparar que os minutos voavam E é sempre bom sinal quando não damos pelo tempo passar.